Clima ajudou na qualidade dos grãos para os moinhos

Indústria elogiou trigo colhido no sudoeste, comparando-o ao cereal argentino, de alto nível

O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2007 | 05h13

O produtor Vicente Ferreira de Moura Júnior, da Fazenda Mosa, em Tatuí (SP), que planta, além de trigo, milho e soja, colheu, em média, 59 sacas/hectare. Nos últimos anos, a produtividade não passou de 40 sacas/hectare. Este ano, estimulado pelos bons preços, Moura Júnior conta que fechou contratos antecipados com a indústria. Até o começo de novembro, espera entregar toda a safra, negociada por R$ 680/tonelada. ''''Se fosse vender a produção hoje, a tonelada estaria valendo R$ 600'''', calcula, destacando, porém, que ''''também não seria ruim''''. Em anos anteriores, chegou a vender a tonelada por R$ 380. O produtor plantou 420 hectares de trigo, metade irrigados e metade sequeiro.FARINHAOutro motivo para o produtor comemorar é a boa qualidade industrial da produção. Moura Júnior comenta que este item pode ser medido pelo pH do trigo, que foi, em média, de 80,2. ''''Nos anos anteriores, o pH vinha se mantendo no nível padrão, de 78.'''' O pH reflete na qualidade da farinha. ''''Os moinhos chegaram a igualar a qualidade do nosso trigo com a do argentino, o melhor do mundo.''''O agrônomo Nélio Masayuki Uemura, de Capão Bonito (SP), confirma o alto nível da safra. Ele explica que o clima, na região, possibilitou a colheita de um trigo com pH ideal, considerado ''''classe A'''' pelos moinhos. ''''Tivemos boa quantidade de chuva em julho, durante a florada, que elevou o rendimento. E a colheita foi favorecida pela seca.''''Pelo menos para os triticultores, a estiagem prolongada deste ano foi vantajosa. A seca impediu o aparecimento de doenças comuns nos trigais e ajudou o produtor a economizar com fungicidas. ''''Casos de brusone, giberela e manchas foliares caíram bastante'''', diz o agrônomo Silva, de Itapeva, que acredita que, fazendo apenas uma aplicação, em vez de duas a três, o produtor economizou R$ 150 por hectare.Prova disso é o produtor Moura Júnior, de Tatuí, que reduziu em 40% gastos com fungicidas esta safra. ''''Apliquei uma, no máximo duas vezes, ante quatro vezes em safras anteriores.''''O custo médio de produção de Moura Júnior foi de R$ 650/hectare, valor bem inferior se comparado às estimativas da Embrapa Trigo, que calculam o custo de produção do trigo irrigado entre R$ 1.500 e R$ 1.800 o hectare e o do trigo sequeiro de R$ 900 a R$ 1.200 por hectare. Uemura, de Capão Bonito, diz que os produtores reduziram as aplicações de defensivos de quatro para três. A produtividade foi de 60 sacas/hectare e o custo de produção ficou em R$ 1.400/hectare. Os 15 produtores associados à cooperativa totalizam 3.500 hectares cultivados.INSUMOSSegundo o pesquisador Márcio Só e Silva, da Embrapa Trigo, em São Paulo, onde é viável plantar trigo irrigado, o produtor pode investir em insumos de boa qualidade, ''''pois há garantia de água e luz''''. Quem opta por esse ''''pacote tecnológico'''', diz Silva, tem mais chance de colher bem. ''''Clima favorável, insumos de boa qualidade e manejo adequado contribuem para que a lavoura expresse todo o seu potencial.''''Cagnin diz que, na Maruque, o insumo que mais pesa é o adubo, com 36% do total. Depois vem a semente, com 15%. Os custos com irrigação, que incluem água e energia elétrica e até a depreciação do pivô, representam 17%. Na Maruque, os custos são controlados. ''''As amostras de solos são georreferenciadas, para receber adubo na medida certa. E não há desperdício de água, nem de energia.''''600reais é o preço médiopago pela tonelada do cereal nesta safra80sacas/hectare foi a produtividade média obtida emlavouras irrigadas150reais/hectare foi a economia com fungicidas por causa da seca nesta safraINFORMAÇÕES: Embrapa Trigo, tel. (0--54) 3316-5800

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