Clínica italiana continua disposta a realizar eutanásia de Eluana

Impasse entre decisão do Tribunal Supremo e do Ministério da Saúde impediu transferência da jovem para Udine

Efe

17 Dezembro 2008 | 16h26

Uma clínica de Udine, no norte da Itália, se mostrou disposta a retirar a sonda que mantém viva Eluana Englaro, uma mulher de 38 anos em coma irreversível desde 1992, apesar do veto do governo a uma sentença do Tribunal Supremo que dava sinal verde ao processo.   Veja também: Ministério da Saúde italiano proíbe eutanásia de Eluana Englaro Italiana em coma pode ser transferida para realizar eutanásia Líder de Toscana pede que clínicas façam eutanásia de Eluana Hospitais se negam a fazer eutanásia autorizada na Itália Corte européia rejeita protestos contra eutanásia de italiana Tribunal de Estrasburgo receberá recurso contra eutanásia Eutanásia de mulher que vegeta há 17 anos divide Itália Mulher italiana em coma deixará de receber alimento   "Estamos preparados para começar com a intervenção de retirada da sonda de nutrição e hidratação artificial de Eluana", confirmou nesta quarta-feira, 17, o executivo-chefe da clínica, Claudio Riccobon.   Tudo está preparado desde terça-feira, 16. Uma ambulância esperava para transferir Eluana Englaro da clínica de Lecco, perto de Milão, onde passou os últimos anos sendo tratada por freiras, ao centro de saúde de Udine, cidade natal de seu pai, Giuseppe.   Na clínica de Udine esperava por ela uma equipe médica formada por cerca de 20 pessoas que desligariam a sonda e a vigiariam durante as 24 horas do dia, como assegurou Riccobon.   Porém, a clínica de Udine suspendeu "temporariamente" a mudança, depois que algumas horas antes o Ministério da Saúde anunciasse o envio de uma circular a todas as regiões na qual proíbe qualquer centro médico público ou privado de interromper a alimentação de pacientes em estado vegetativo.   Uma ordem que impediria de ser executada a sentença do Tribunal Supremo que, em novembro passado, autorizou, pela primeira vez no país, retirar a alimentação de uma pessoa em estado vegetativo.   Riccobon reiterou nesta quarta-feira, 17, a disposição da clínica em desligar, de maneira gratuita, os aparelhos de Eluana Englaro, mas anunciou que, por enquanto, tudo está bloqueado "à espera de que os advogados da família demonstrem que a circular do ministro Maurizio Sacconi não invalida a decisão do Tribunal Supremo".   "Somos uma clínica privada e não queremos ter problemas legais. Assim que se resolva a situação, estaremos preparados para receber Eluana", acrescentou.   Na Itália se desencadeou uma dura batalha para resolver o possível conflito de competências entre a Corte Suprema e a imposição do Governo italiano.   Para o advogado da família Englaro, Vittorio Angiolini, nenhuma circular ou diretiva pode anular uma sentença do Tribunal Supremo.   Por sua parte, o juiz do tribunal de apelação de Milão, Filippo Lamanna, que deu a autorização a Giuseppe Englaro para interromper a alimentação de sua filha, o que depois foi ratificado pelo Supremo, declarou nesta quarta-feira, 17, em resposta à circular do Governo "que a sentença é firme, não pode ser impugnada e se tornou definitivamente em execução".   Já o Governo insistiu que os centros sanitários públicos e privados "têm que respeitar a ordem dada pelo Ministério da Saúde", como disse a subsecretária de Saúde, Francesca Martini.   Por enquanto, Giuseppe Englaro disse esperar que se resolva a situação legal, e poder enterrar sua filha junto a seu avô em um cemitério de Udine.   No momento em que acontecer a retirada da sonda, Eluana Englaro demorará cerca de 15 dias para morrer, explicou a clínica de Udine.   Viagem   A próxima viagem de Eluana de Englaro não será divulgada à imprensa, já que o ministro da Saúde soube pelos meios de comunicação que a jovem iria ser transferida a um hospital privado para que os aparelhos que a mantém viva sejam desligados.   O advogado da família Englaro, Vittorio Angiolini, que esta tarde convocou uma coletiva de imprensa em Milão, anunciou que a transferência de Eluana será feita em segredo.   "O ministro soube pela imprensa que a transferência de Eluana era iminente e fez uma manobra de distração que, na minha opinião, foi feita para ganhar tempo", argumentou o advogado.

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