Clinton cobra do Brasil ações para a defesa da Amazônia

Em palestra em Fortaleza, ex-presidente dos EUA diz que 'o mundo todo está de olho' nas ações ambientais do País

LAURIBERTO BRAGA / FORTALEZA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h02

Na capital cearense para uma palestra de 90 minutos sobre sustentabilidade global para 2 mil pessoas, a convite da Universidade de Fortaleza (Unifor), o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton declarou amor ao Brasil, mas cobrou do País mais ações em defesa do meio ambiente, em especial da Amazônia, e da produção de energia limpa.

"O que o Brasil está fazendo em relação ao meio ambiente, o mundo todo está de olho", afirmou. Ainda sobre esse tema, Clinton disse que a Floresta Amazônica produz 20% do oxigênio do planeta, mas está sofrendo com a degradação. "Os agricultores de cana-de-açúcar empurram os pecuaristas para a floresta", disse.

Apesar das cobranças, o ex-presidente americano foi diplomático e fez vários elogios ao Brasil, principalmente à recuperação da economia e à diminuição das desigualdades sociais. "O Brasil foi um dos poucos países que tiveram, na última década, um crescimento robusto e um declínio na desigualdade", destacou.

Outro tema levantado por ele foi a participação brasileira na reconstrução do Haiti. "O Brasil foi fundamental à sobrevivência do Haiti", afirmou.

O americano resumiu os problemas do mundo em três categorias: "instabilidade e incertezas; desigualdade; e modelo insustentável pelo clima". "Um dos grandes problemas do mundo é produzir energia limpa."

Ele também apontou o terceiro setor como fundamental para resolver os grandes problemas mundiais nas áreas de saúde, educação e meio ambiente. "O terceiro setor estreita os laços onde o governo não chega e onde o privado não atua", disse, reforçando que esses três setores devem ser fortes para que um país seja desenvolvido.

"Devemos sempre debater duas coisas: o que você vai fazer e quanto você vai gastar para fazer", afirmou. Segundo o ex-presidente, "não importa quanto dinheiro você tem; o importante é como você vai fazer para mudar a vida das pessoas".

Clinton não falou sobre as eleições presidenciais americanas deste ano, mas lembrou que, quando presidente (1993-2001), conseguiu "economizar muitas florestas", o que disse ter sido "nossa maior contribuição".

Ontem à noite, Clinton faria outra palestra em Belém (PA), no 19.º Congresso Brasileiro de Contabilidade.

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