Colegas o descrevem como manipulador

"Nicolelis é um bom cientista, como muitos outros que existem no Brasil ou nos Estados Unidos; nada além disso. O resto é mídia, é propaganda." A afirmação, do neurocientista Ricardo Gattass, da UFRJ, é uma síntese da opinião de mais de dez cientistas ouvidos pelo Estado - todos figuras de liderança na comunidade científica, tanto na esfera acadêmica quanto na governamental, que acompanharam de perto ou participaram diretamente da trajetória de Nicolelis no Brasil nos últimos anos.

O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2012 | 02h08

Gattass, que integrou a banca de doutorado de Nicolelis na Faculdade de Medicina da USP, orientou o mestrado de Sidarta Ribeiro na UFRJ e apoiou a implementação do projeto deles em Natal, foi um dos únicos que aceitou ter seu nome mencionado. Isso reflete um dos traços mais marcantes e menos conhecidos da personalidade de Nicolelis "por trás das câmeras".

Nos bastidores da comunidade científica, ele é conhecido como uma figura truculenta, autoritária e vingativa, que não aceita ser contrariada ou questionada em nenhum detalhe. Bem diferente da personalidade calma, brincalhona e emotiva que costuma transparecer em suas palestras, nas quais é comum ele e pessoas da plateia chorarem. "Controlador", "manipulador" e "politicamente muito poderoso" foram alguns dos adjetivos usados por colegas para descrevê-lo.

"Você não tem ideia da pessoa com quem está mexendo. O Miguel é muito perigoso", alertou um dos entrevistados. Outros, ao saberem que a reportagem seria sobre Nicolelis, não ligaram de volta.

"Ele acha que é Deus e quer ser tratado como tal. Tem um ego insaciável", diz um pesquisador, segundo o qual os projetos de Nicolelis são aprovados mais por força política do que por mérito científico. "É um homem que faz inimigos e se envolve em coisas obscuras por todo lugar em que passa", afirma outra fonte.

Além dos projetos no Rio Grande do Norte, Nicolelis teve uma parceria de cinco anos em São Paulo com o Hospital Sírio-Libanês, onde fez pesquisas relacionadas ao mal de Parkinson. O contrato venceu em 2011, não foi renovado e o laboratório de Nicolelis foi desativado e ocupado por outro grupo. O hospital não quis comentar o assunto. / H.E.

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