Coletânea de contos reúne os preferidos das celebridades

Na esteira da biografia Clarice, da Cosac Naify, a editora Rocco lança uma seleção de 22 contos, Clarice na Cabeceira, selecionados por escritores, cineastas, atrizes, cantoras e críticos. São nomes como Rubem Fonseca, Lya Luft e Luis Fernando Verissimo que, num exercício de memória afetiva, escolheram contos de Laços de Família (1960), A Legião Estrangeira (1964), Felicidade Clandestina (1971), A Via Crúcis do Corpo (1974), Onde Estivestes de Noite (1974) e o póstumo A Bela e a Fera (1979).

, O Estadao de S.Paulo

21 de novembro de 2009 | 00h00

Curiosamente, o biógrafo norte-americano Benjamin Moser escolheu o conto que mais lhe parece próximo da principal mania de Clarice Lispector, a de sempre andar na contramão da massa ignorante e avessa à liberdade, como se pretendesse dizer, a exemplo do cineasta Pier Paolo Pasolini, que o homem comum é quase um criminoso, por matar dentro dele e dos outros aquilo que tem de melhor.

Nesse conto, A Procura de Uma Dignidade (de Laços de Família), uma senhora de 70 anos, sem prenome, apenas com o sobrenome do marido, solitária como uma águia e confusa como uma avestruz, tem sonhos voluptuosos com Roberto Carlos. Acorda tardiamente para a realidade da velhice. Ou não acorda. A morte, essa "indesejável das gentes", é sempre o ponto final na estrada literária de Clarice Lispector.

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