Colheita de soja em MT avança, mas chuvas limitam trabalhos-Imea

A colheita de soja em Mato Grosso, principal Estado produtor da oleaginosa no Brasil, apresentou um avanço pequeno nesta semana, com chuvas limitando os trabalhos em importantes regiões, apontou o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

ROBERTO SAMORA, REUTERS

20 de janeiro de 2012 | 16h51

A colheita, que vem sendo limitada por chuvas intensas desde a semana passada, já foi realizada em 2,7 por cento da área plantada recorde de quase 7 milhões de hectares, contra 1,2 por cento registrado na sexta-feira anterior, de acordo com o Imea, agência de análises ligada à Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato).

Na mesma época do ano passado, os produtores estavam mais atrasados na colheita, após o plantio da safra 2010/11 ter sido tardio. Eles tinham colhido em 1,3 por cento da área de soja em 20 de janeiro de 2011.

"Está dentro do esperado (o ritmo de colheita) visto que tinha previsão de muita chuva, nesse sentido está dentro do esperado, mas fora do desejado para o produtor", declarou o superintende do Imea, Otávio Celidonio.

O Mato Grosso, que colhe cerca de 30 por cento da safra do Brasil (segundo produtor mundial de soja), tradicionalmente é o Estado que começa mais cedo os trabalhos de colheita.

Segundo Celidonio, a chuva tem atrapalhado a colheita especialmente nas regiões oeste e do Médio-Norte, principal área produtora mato-grossense, com área de soja estimada em 2,7 milhões de hectares.

Ele disse que o plantio de algodão segunda safra está lento por causa das chuvas, que impedem o produtor de tirar a soja dos campos.

"As regiões mais tranquilas são o sudeste e centro sul", disse ele, lembrando que nessas áreas os agricultores têm conseguido colher.

Até o momento, no entanto, as chuvas não afetam o potencial de plantio de algodão e milho segunda safra, uma vez que a soja foi plantada mais cedo na temporada 2011/12.

As chuvas intensas no Brasil podem representar um problema para as exportações, pois levaram alguns compradores da China a adquirirem cargas de soja dos Estados Unidos, segundo fontes do mercado norte-americano, como um seguro contra eventuais atrasos na colheita brasileira.

FEVEREIRO

O presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), Glauber Silveira, avaliou que as chuvas "estão atrapalhando um pouco", mas destacou que a grande maioria das áreas ainda não tem soja pronta para colheita.

"A chuva está atrapalhando mais quem planta mais cedo para fazer a safrinha de algodão", disse.

Segundo ele, a colheita de soja ganhará velocidade, como acontece normalmente, a partir de fevereiro.

"Não a semana que vem, na outra o bicho começa a pegar, aí os produtores colhem 2 por cento (da área) ao dia, chega a colher 3 por cento...", afirmou Silveira, lembrando que isso depende do tempo.

Ela acrescentou que a safra está indo bem no Estado, que deverá produzir um recorde acima de 22 milhões de toneladas na temporada 2011/12, alta de 1,6 milhão de toneladas na comparação com a safra anterior, por conta do aumento de área de aproximadamente 500 mil hectares ante 10/11.

(Reportagem adicional de Karl Plume, de Chicago)

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