Colômbia diz conhecer local em que Farc mantêm reféns

Governo colombiano diz que rebeldes buscam reforçar imagem do presidente venezuelano, Hugo Chávez

Claudia Jardim, BBC

22 Fevereiro 2008 | 03h05

O ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou nesta quinta-feira, 21, ter conhecimento do local em que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) mantêm os reféns que prometeram libertar após seis anos de seqüestro. No início do mês, as Farc anunciaram a libertação dos ex-congressistas colombianos Gloria Polanco de Lozada, Luis Eladio Pérez e Orlando Beltrán. De acordo com o ministro, os três ex-congressistas estariam em um acampamento instalado nas imediações do lugar em que foram libertadas as reféns Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo, em janeiro. Por meio de um comunicado, o ministro de Defesa colombiano disse ainda que é grave o estado de saúde do ex-congressista Luis Eduardo Gechem, um quarto refém que também poderia ser libertado pela guerrilha. Segundo o comunicado, Gechem, seqüestrado há seis anos, estaria em um acampamento a 15 quilômetros de distância dos outros três reféns. Os ex-congressistas integram um grupo de 44 reféns que as Farc consideram passíveis de troca por guerrilheiros presos. No grupo também está incluída a ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt, seqüestrada há seis anos. O governo colombiano disse estar disposto a facilitar a missão humanitária para o resgate dos reféns que as Farc prometeram libertar e pediu que a guerrilha acelere o processo. Os familiares pediram ao governo de Álvaro Uribe que não realize nenhuma operação militar de resgate, temendo que a vida dos seqüestrados seja colocada em risco. Chávez Também nesta quinta-feira, o alto comissário para Paz da Presidência da Colômbia, Luis Carlos Restrepo, disse que as Farc decidiram realizar libertações unilaterais de seus reféns para fortalecer a imagem do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que foi afastado da mediação do acordo humanitário entre o grupo rebelde e o governo colombiano no ano passado. "(As Farc) fazem para fortalecer a imagem do presidente Chávez como pessoa chave nas libertações de reféns", disse. "Ao mesmo tempo que tentam convocar ao seu redor um grupo de países que influam sobre o presidente (Álvaro) Uribe para que aceite novamente sua mediação", disse Restrepo em um artigo publicado em um jornal local. Logo depois, em Caracas, o presidente Chávez, acusou as Forças Armadas da Colômbia de contribuir com a preparação de grupos paramilitares que estariam sendo "empurrados" para a fronteira venezuelana. "Toda essa história de desmobilização (paramilitar) é uma grande farsa. Aumentou, isso sim, a presença paramilitar na nossa fronteira (...) com o apoio do governo da Colômbia e dos Estados Unidos", disse Chávez na noite desta quinta-feira, em uma reunião com organismos de segurança no palácio de governo. Chávez reiterou que 19 paramilitares colombianos detidos no ano passado em Caracas tinham como objetivo assassiná-lo.   Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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