Colonos libertam dez índios mantidos reféns no PA

Dez índios da etnia tembé e dois funcionários da prefeitura de Santa Luzia mantidos reféns por dois mil colonos desde domingo à noite na aldeia Itahu, na região do Alto Rio Guamá, a 350 quilômetros a nordeste da capital paraense, foram libertados no começo da tarde de hoje. Os colonos invadiram a terra indígena há mais de dez anos e se recusam a deixar a área. Depois de liberar os reféns, eles saíram da aldeia, levando o filho de um cacique e um auxiliar de enfermagem da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no município de Capitão Poço.A polícia informou que os dois seqüestrados estariam em uma localidade conhecida por Pau de Remo, em Santa Luzia. Os colonos afirmam que só libertarão a dupla quando receberem do governo federal a garantia de que não serão expulsos das terras. Os índios tembé estão revoltados com os colonos e se armando para retirá-los à bala da reserva. O conflito dentro da reserva se arrasta há mais de vinte anos. Além de colonos, a área está ocupada por madeireiras que já derrubaram 80% da floresta, fazendeiros e empresas mineradoras. A reserva, criada em 1945 e homologada em 1993, passa por um processo de desocupação. Um acordo entre governo federal, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Fundação Nacional do Índio (Funai) estipulou prazos para que a área fosse totalmente desocupada. A invasão da aldeia Itahu pelos colonos foi uma forma de impedir que a prefeitura de Santa Luzia prossiga as obras de abertura de estradas que ligariam todas as aldeias dos tembé na região, facilitando a fiscalização contra a retirada ilegal de madeira.

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