Coloridas calles

Em Cartagena de Indias, a realidade pode ser tão fantástica quanto uma história de Gabriel García Márquez. Cruze as muralhas para descobrir casarões coloniais, a cripta de uma menina com cabeleira de 20 metros...

Marcus Lopes, ESPECIAL PARA O ESTADO, CARTAGENA DE INDIAS,

22 de fevereiro de 2011 | 07h00

 

 

Imagine um lugar cercado por muralhas centenárias que consegue acrescentar à sua rica arquitetura um povo alegre e simpático, opções culturais e uma vista deslumbrante para o Mar do Caribe. Onde você ainda tem a chance de cruzar com Gabriel García Márquez perambulando nas ruas coloniais ou sentado em um café. Cartagena de Indias deslanchou na rota turística caribenha e leva cada vez mais visitantes à Colômbia, país que tem se esforçado para afastar a imagem de insegurança e incentivar o turismo.

 

Fundada pelos espanhóis em 1533, a cidade logo se tornou um dos portos mais importantes para o escoamento das riquezas extraídas das colônias no Novo Mundo rumo à Europa, em especial o ouro e a prata. Isso, claro, atraiu a cobiça de piratas ingleses e franceses, que ali realizaram saques sistemáticos ao longo do século 16. Cansada de tantas pilhagens, a partir de 1586 a Coroa espanhola decidiu fortificar Cartagena, cercando a cidade com 11 quilômetros de muralhas de pedra, dos quais 8 ainda resistem, incluindo algumas guaritas e velhos canhões.

 

Em vez de soldados, os muros hoje são dominados por turistas e moradores, que fazem longas caminhadas ao pôr do sol. Sobre as muralhas também ficam alguns dos bares e restaurantes famosos, como o Café Del Mar, no Baluarte de San Domingo, onde é possível ter uma visão 360º da Cidade Velha.

 

O dia em Cartagena deve começar cedo, de preferência com um bom desjejum. Não deixe de provar as arepas, bolinhos feitos com milho e ovo, onipresentes na mesa de café da manhã colombiana. Depois, é hora de comprar uma garrafinha de água - o calorão é daqueles - e bater perna.

 

Considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco desde 1984, a Cidade Velha, como é chamada a parte que fica dentro das muralhas, é formada por mais de 40 quarteirões com as principais atrações, entre museus, centros culturais, antiquários, igrejas, praças, antigas calles e a arquitetura dos sobrados, com seus charmosos e coloridos balcões de madeira.

 

Erguidos entre os séculos 17 e 19 por espanhóis endinheirados, as casas coloniais serviam para ostentar a riqueza da cidade que respirava aos minérios extraídos das colônias, principalmente o Peru, e passavam por ali antes de seguir para a Europa. Quanto maior, com mais andares e varandas fosse a casa, mais abastado era o dono. Muitas delas atualmente pertencem aos novos ricos do país, gente que chega de Bogotá e Cali disposta a ter uma casa de veraneio em Cartagena.

 

Coches. Aos mais românticos ou nostálgicos, um programa imperdível é o passeio de coche (charrete) pelas ruas do centro histórico. Há o trajeto curto e o longo, que inclui uma volta na parte moderna, o bairro de Bocagrande. Escolha o maior, que rodeia o Laguito, lago que fica na ponta da cidade. Os passeios são acertados com os cocheiros, que se concentram nas praças da Cidade Velha ou nas portas dos hotéis. Simpáticos, eles serão valiosos guias na cidade que García Márquez considera sua casa.

 

 

 

NOS MUSEUS

Cartagena também é chamada de "A Heróica", por ter declarado sua independência e resistido por três meses às pressões da Coroa, no século 19. Mas o termo também se aplica às vitórias contra os piratas. Nada mais adequado, então, que deixar a história guiar seus passos nos museus da cidade.

 

Histórico

Instalado no Palácio de La Inquisición, no Parque Bolívar, é o principal da cidade. E o visitante logo descobre o motivo. Erguido no século 18, o prédio abrigou o Tribunal do Santo Ofício - as peças expostas no primeiro piso são testemunhas desse período triste. As salas do andar superior, por sua vez, mostram a história de Cartagena, com maquetes, painéis, quadros e objetos.

 

Do Ouro

Na mesma praça fica o Museu do Ouro, que conta a história da metalurgia e da exploração de metais preciosos. Dos vestígios arqueológicos de 500 a.C. ao período colonial espanhol.

 

Arte Moderna

Fica na Plaza de San Pedro Claver e precisa estar no roteiro especialmente se houver alguma mostra de novos artistas colombianos.

 

Arte Moderna

Vale seguir até a Colina de São Lázaro, nos arredores do bairro Getsemani, para conhecer o Castelo de San Felipe de Barajas. Trata-se de um dos principais fortes militares da cidade. A vista da baía, por si, já justifica o passeio.

 

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