Com 66 identificados, grupo pode ter centenas de aliados

Divergência interna na guerrilha provocou o surgimento de um braço mais radical, os campesinos armados

Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2014 | 21h00

O grupo de guerrilheiros do Exército do Povo Paraguaio (EPP) não tem mais do que uma centena de militantes em operação na região de Concepción, a 400 quilômetros de Assunção. A avaliação é de investigadores da Força-Tarefa Conjunta (FTC), grupo formado por agentes do Exército, da Polícia Nacional e da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Identificados, com pedidos de prisão, mortos ou presos somam 66.

A preocupação das autoridades é com o crescimento da rede de apoio ao EPP na região. Os principais líderes que operam nas matas do norte do Paraguai são Osvaldo Daniel Villalba Ayala, Manuel Cristaldo Mieres, Magda Maria Meza Martinez e Liliana Elizabeth Villalba Ayala, que é a porta-voz do grupo. Todos são cidadãos paraguaios. Osvaldo e Liliana são irmãos de Carmen Villalba, mulher do principal dirigente do EPP, Alcides Oviedo Britez, preso em Assunção, condenado por sequestro. 

Nos últimos dias, segundo a FTC, uma divergência interna na guerrilha provocou o surgimento de um braço mais radical. O novo grupo continua ligado ao comando central, mas atua com autonomia. É liderado pelos irmãos Albino e Alberto Jara Larrea, que aparecem com capuzes com a inscrição ACA (Agrupamento Campesino Armado).

De acordo com informações da inteligência paraguaia, os Larrea agem em separado por serem mais “sanguinários” do que o núcleo principal do EPP, controlado pelos Villalba. 

Com os três mortos da operação já são nove os guerrilheiros abatidos em combate com forças oficiais. Em vídeos encontrados em computadores de militantes do EPP apreendidos e mostrados na TV paraguaia, é possível ver que os guerrilheiros gravaram treinamentos na selva e o recebimento de resgates milionários, como o de Fidel Zavala. A mala com dólares é jogada de um avião sobre coordenadas indicadas por Osvaldo, que comemora o pagamento e promete liberar o sequestrado.

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