Com a seca, oferta de gado está maior

Pecuarista não tem condição de manter os animais no pasto seco e entrega lotes maiores[br]para abate no frigorífico

Fábio Marin, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2009 | 02h46

A semana começou sob a ação de uma massa de ar seco no Estado, mantendo os dias ensolarados e com baixa umidade do ar. No fim de semana, houve chuvas isoladas em Barretos, Franca, Iguape, Ribeirão Preto e São Carlos. A temperatura mínima chegou a 12 graus em Itapeva e Ribeirão Preto e a 11 graus em Sorocaba. A máxima passou de 30 graus em Presidente Prudente, Votuporanga e Ilha Solteira.

A umidade do solo continuou caindo, chegando a 58% na média geral do Estado. Em Ilha Solteira, Itapeva, Presidente Prudente e Sorocaba a reserva hídrica do solo já é inferior a 40%, enquanto Franca, Iguape e São Carlos têm armazenamento acima de 90%.

Nas maioria das localidades, no entanto, a umidade oscila entre 50% e 60% da capacidade máxima de retenção, mas a elevada deficiência hídrica já é indício de que as condições são desfavoráveis para lavouras e pastagens.

A condição é mais crítica nas áreas de milho safrinha do sul do Estado e do Vale do Paranapanema semeadas tardiamente. Nas áreas de semeadura precoce, os prejuízos devem ser menores, pois já passou a fase de maior sensibilidade à seca.

PECUÁRIA

A seca - comum nesta época no Sudeste - já tem efeito sobre o preço da arroba do boi. Como o pasto seco torna mais difícil manter o gado no pasto, o aumento da oferta de boi gordo contribui para a queda de preços.

A seca acelera a maturação e facilita a colheita e o transporte da cana. Nesta safra a colheita começou mais cedo, quando a cana ainda não tem maturação ideal para a produção de açúcar. A partir desta semana, porém, a tendência é a de que a concentração de sacarose seja elevada, facilitando a fabricação do açúcar. A colheita do café começou, favorecida pelo clima. A maturação ainda não é ideal, mas nas áreas com colheita mecânica ou seleção manual é possível colher apenas grãos maduros.

A colheita da soja já está praticamente encerrada e esta safra foi marcada pela elevação nos casos de ferrugem asiática. Houve, nesta safra, 15 focos, ante 7 na safra passada. As condições favoráveis à propagação da doença e o monitoramento mais intenso foram responsáveis pelo maior número de notificações.

*Fábio Marin é pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária. Para mais informações sobre tempo e clima, acesse www.agritempo.gov.br

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