Com apoio de Connery, Escócia lança campanha pela independência

Com discursos empolgantes, música patriótica e apoio do ator Sean Connery, os favoráveis à independência da Escócia lançaram uma campanha nesta sexta-feira que eles esperam levar ao fim de uma união de 305 anos com a Inglaterra e a dissolução da Grã-Bretanha.

ANDREW OSBORN, REUTERS

25 Maio 2012 | 16h29

"Este é o começo de algo muito especial -- o início da campanha para restaurar o status de nação para a Escócia", afirmou Alex Salmond, líder do Partido Nacional Escocês (SNP), a centenas de partidário em um salão na capital Edimburgo. "Queremos uma Escócia que é mais justa e mais próspera."

A campanha espera tirar proveito de uma mistura de rivalidade histórica, diferentes gostos políticos e a percepção de que o Parlamento britânico em Londres não protege os interesses da Escócia para vencer um referendo em 2014, que abriria o caminho para a plena independência dois anos mais tarde.

Se for bem sucedida, a campanha poderia criar graves problemas para a Grã-Bretanha, que inclui Inglaterra, Escócia e País de Gales (a Grã-Bretanha, por sua vez, faz parte do Reino Unido, que inclui também a Irlanda do Norte).

Com os seus kilts e tartans, gaitas de foles e uísque, a Escócia tem uma cultura distintiva, e um tanto romantizada. Houve também uma história mais obscura de violência, pobreza e doenças, notadamente na maior cidade, Glasgow, que no passado foi um motor do Império Britânico.

A Escócia já tem muitas características de uma nação independente, tais como a sua própria bandeira, equipes esportivas, e uma história de conquistas em ciência e literatura.

O atual governo da Grã-Bretanha, uma coalizão entre o Partido Conservador e o Partido Liberal Democrata, é contrário à independência da Escócia, assim como o Partido Trabalhista, da oposição. A Grã-Bretanha é mais forte como uma união, eles argumentam, e uma Escócia independente poderia ter dificuldades na Europa.

Salmond, do SNP, não tinha essas dúvidas. Ele disse que seu objetivo era conseguir que um milhão de escoceses assinassem a "Declaração do Sim" antes do referendo.

Sob um sistema de governo descentralizado, o Parlamento escocês criado em 1999 controla a saúde, educação e as prisões, enquanto o governo britânico em Londres controla todo o resto, incluindo a política externa e de defesa.

"Se o Parlamento pode administrar a educação, por que não podemos gerenciar a economia? E se nós podemos proteger os nossos idosos, por que não podemos nos proteger sem a obscenidade das armas nucleares?", disse Salmond ao público.

O evento de lançamento contou com apresentações de música patriótica empolgante e um filme que mostra as paisagens montanhosas impressionantes do país, pescadores, universidades, e, inevitavelmente, dançarinos vestidos de kilt.

Também houve um endosso das celebridades. Foi lida uma mensagem de apoio do ator Sean Connery, que era um leiteiro em Edimburgo antes de encontrar a fama como o agente secreto James Bond.

Pesquisas de opinião mostram que cerca de 40 por cento dos escoceses são favoráveis à independência, com cerca de 10 por cento indecisos e 50 por cento contrários. Ao sul da fronteira, na Inglaterra, as pesquisas mostram que as pessoas estão, em grande parte, indiferentes.

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