Com baixo volume, dólar cai 0,43% e atinge patamar de R$1,96

O dólar encerrou em queda ante o real no pregão desta quarta-feira de Cinzas, atingindo a casa de 1,96 real pela primeira vez no ano, num movimento intensificado pelos baixos volumes após o feriado de Carnaval.

NATÁLIA CACIOLI, Reuters

13 de fevereiro de 2013 | 17h34

Apesar da quantidade menor de negócios, o mercado continua atento a possíveis intervenções do Banco Central, uma vez que a autoridade monetária sinalizou na sexta-feira um novo piso informal de 1,95 real para a divisa --nível que o mercado deverá voltar a testar em breve impulsionado por novas entradas de dólares no país, segundo operadores.

A moeda norte-americana encerrou em queda de 0,43 por cento, a 1,9645 real na venda, mantendo-se no menor nível de fechamento desde 11 de maio de 2012, quando a divisa encerrou a 1,9560 real.

Segundo dados da BM&F, o volume negociado ficou em torno de 1,6 bilhão de dólares, muito aquém dos cerca de 4 bilhões de dólares movimentados por dia na última semana.

"O mercado está com liquidez reduzida e talvez outro fator seja o cenário externo, que está menos avesso a risco", afirmou o consultor de pesquisas econômicas do Banco Tokyo-Mitsubishi Mauricio Nakahodo.

Enquanto balanços corporativos e um bem-sucedido leilão de títulos na Itália alimentaram o apetite por risco nas bolsas de valores, um comunicado do G7 --grupo que reúne as sete economias mais desenvolvidas do mundo-- defendendo o câmbio determinado pelo mercado causava volatilidade em outras moedas no exterior.

Em relação a uma cesta de moedas, o dólar tinha ligeira alta de 0,01 por cento, enquanto o dólar australiano, considerado de perfil semelhante ao real, avançava 0,34 por cento frente ao dólar.

Segundo analistas, o maior giro financeiro deve ser retomado a partir da próxima sessão, embora analistas acreditem que a quantidade de negócios somente estará normalizado a partir da próxima segunda-feira.

CÂMBIO X INFLAÇÃO

Preocupações com a inflação e declarações à Reuters do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o governo não deixaria o dólar chegar a 1,85 real chegaram a puxar a moeda norte-americana para o patamar 1,95 real durante os negócios na última sexta-feira.

Mas uma intervenção do BC no mesmo dia trouxe o dólar a 1,97 real e alimentou interpretações no mercado de uma nova banda informal de 1,95 a 2 reais.

Na avaliação de analistas, a intenção desse novo intervalo de negociação seria ancorar as expectativas de inflação, depois que a divulgação do IPCA de janeiro preocupou o mercado e o próprio presidente do BC, Alexandre Tombini.

"O câmbio está efetivamente tabelado... O mercado entende que 1,95 a 2 reais seria uma nova base de câmbio", afirmou o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros.

Para analistas, o mercado deverá voltar a testar o nível de 1,95 real nas próximas sessões, assim que o volume se regularizar e mais dólares entrarem no país.

"Há a expectativa de maior entrada de divisas no país, tanto pela conta comercial, como pela conta financeira", disse Nakahodo, do Banco Tokyo-Mitsubishi, citando os embarques de soja em fevereiro e março e a possibilidade de novas captações de empresas brasileiras no exterior.

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