Com chuva, pastos de boa qualidade

Preço da arroba já está acima de R$ 80 e pecuarista pode manter gado na fazenda à espera de novas altas

Ana Maria H. de Ávila, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2010 | 02h20

Março teve chuvas ligeiramente acima do normal na maioria das regiões. Nesta última semana, áreas de instabilidade provocaram chuvas irregulares em todo o Estado, com os maiores volumes, em torno de 85 milímetros, registrados em Campinas, Itapeva e Jaboticabal e em Sorocaba, com 95 milímetros. As chuvas foram suficientes para elevar a umidade do solo e o armazenamento médio ficou em torno de 90% no Estado. Apenas na região de Jaú, o solo continua com armazenamento abaixo dos 50% pela quarta semana consecutiva.

As temperaturas médias diminuíram em relação ao período anterior, inclusive nas regiões mais quentes do Estado, como Ilha Solteira e Votuporanga. Em Iguape essa diferença chegou a 3 graus. O que começa a preocupar os agricultores, especialmente a partir de maio, são as entradas de massas de ar frio com risco de geadas para o milho safrinha do sul do Estado e para as hortaliças da região de Mogi das Cruzes.

Pasto. O aumento da umidade no solo favoreceu o desenvolvimento das pastagens nas fazendas de gado leiteiro do Vale do Paraíba e do boi gordo nas regiões central e norte. Com o pasto de boa qualidade, os pecuaristas prolongam o tempo dos animais no campo e podem aguardar o aumento dos preços da arroba do boi, que já ultrapassam R$ 80. As chuvas menos frequentes e noites um pouco mais frias favorecem o desenvolvimento dos tomateiros e a qualidade dos frutos.

A colheita da safra de verão que está terminando agora em Itapeva teve a qualidade prejudicada pelo excesso de chuva, mas a safra de inverno que está começando agora em Sumaré e Mogi-Guaçu promete ter boa qualidade e os preços animam os produtores.

A safra do amendoim também está terminando, porém em ritmo mais lento por causa das chuvas e a nebulosidade elevada do fim de semana. Muitos produtores utilizam a área da cana-de-açúcar, mas o excesso de chuva atrasou a colheita da gramínea, reduzindo a oferta de terra para o plantio do amendoim em aproximadamente 20%. Mesmo assim, os produtores estão animados com a qualidade, que deverá render produtividade maior que a do ano passado e preços animadores.

O tempo mais úmido diminui o ritmo, mas não impede o fim da colheita de soja, do milho e do feijão da segunda safra. Prossegue a colheita do abacate em Jardinópolis e Altinópolis e a do abacaxi em Guaraçaí e Mirandópolis.

ANA MARIA H. DE ÁVILA É PESQUISADORA DO CEPAGRI/UNICAMP. PARA MAIS INFORMAÇÕES SOBRE TEMPO E CLIMA, ACESSE WWW.AGRITEMPO.GOV.BR

Amendoim

No início da safra a saca estava cotada a R$ 20, ante R$ 14 no ano passado. O aumento deve-se à menor oferta do grão no mercado

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