Com chuvas constantes, houve economia de água e energia

O agricultor Walter William Sleutjes, proprietário da fazenda Buriti Mirim, em Angatuba, plantou 49 hectares e colhia, na semana passada, a média de 6,1 toneladas/hectare.

O Estado de S.Paulo

24 de março de 2010 | 02h49

A área de cultivo tem pivôs de irrigação, mas, como as chuvas foram constantes, ele economizou água e energia. Com isso, teve um custo de R$ 2 mil por hectare. Como estava conseguindo colocar a R$ 39 a saca, esperava uma receita bruta de R$ 3,9 mil por hectare. "Nesse momento, nenhuma outra cultura dá essa renda", disse.

Plantio direto. O arroz foi plantado no início de novembro, após a colheita do feijão, no sistema de plantio direto. As máquinas que faziam a colheita deixavam no solo uma grossa camada de palha. "Vou deixar secar para fazer outro plantio em cima", disse Sleutjes.

Ele lembrou que seu pai tinha sido um grande produtor do cereal nos anos 1980. "As terras da fazenda foram abertas para o cultivo de arroz." O agricultor considera importante melhorar a estrutura de secagem, beneficiamento e comercialização para que a cultura avance no Estado. De acordo com a Secretaria, a Ceagesp vai entrar com a estrutura de silos e secadores para atender à demanda dos arrozeiros.

O agrônomo Rubens Yamanaka, da Cati de Avaré, disse que o arroz é uma opção a mais para a rotação de lavouras nas áreas de produção agrícola. "É a planta ideal para rotação com feijão e soja, mas é possível plantar também após a colheita do trigo." A melhor época para o plantio está entre os meses de setembro e outubro. O cultivar usado no programa é o IAC 202, com grãos longos e resistentes à quebra, próprio para o cultivo em terras altas. "É um cultivar desenvolvido há mais de dez anos, mas que ficou parado por falta de interesse." A cultura, segundo ele, praticamente saiu da agenda do agricultor paulista. De acordo com o programa Lupa (Levantamento de Unidade de Produção Agropecuária) da Secretaria da Agricultura, em 96, um total de 11.138 agricultores paulistas declarou ter plantado arroz. Em 2008, esse número foi de apenas 1.685.

O diretor da Unidade de Arroz da Broto Legal, Lázaro Moretto, disse que a empresa apostou no projeto por causa da logística. Atualmente, grande parte do arroz comercializado com a marca vem do RS.

"Ter o produto na porta é bem mais vantajoso do que buscar a 2 mil quilômetros." A empresa recebe o arroz em casca e cuida do beneficiamento, seleção e embalagem. Ele considera que a qualidade da primeira safra está próxima da desejada. "Estamos fazendo alguns ajustes para o próximo plantio."

Moretto acredita que os produtores que aderiram vão ampliar os cultivos entre 30% e 50%. "É o crescimento possível em função da disponibilidade de semente." O programa levou a Broto Legal a investir em melhorias na unidade de beneficiamento de arroz localizada em Porto Ferreira.

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