Com demanda e preços menores, Vale tem queda de 61,3% no lucro

Empresa fechou o terceiro trimestre com um lucro de R$ 3 bilhões. No balanço em dólares, recuo foi de 65,2%

Irany Tereza, O Estadao de S.Paulo

29 de outubro de 2009 | 00h00

O lucro da Vale no terceiro trimestre caiu mais de 60% em relação ao mesmo período do ano passado, tanto no balanço em reais (R$ 3 bilhões, com queda de 61,3%), quanto em dólares (US$ 1,7 bilhão, queda de 65,2%). A queda já era esperada pelo mercado financeiro e deve-se principalmente aos efeitos negativos do recuo da demanda internacional e do preço do níquel e do minério de ferro - este negociado, pela primeira vez, com desconto de 30% em relação ao ano anterior. Grande exportadora, com cerca de 84% de sua receita no exterior, a mineradora brasileiro sentiu pesadamente as consequências da crise internacional.

Torpedeada pelo governo nos últimos meses, com críticas à gestão da empresa durante a crise - como a demissão de 2 mil funcionários e corte de US$ 5 bilhões em investimentos este ano -, a direção da Vale foi bastante cautelosa nos comentários do documento de divulgação do balanço, ao qual deu o título "Retomando o crescimento". O texto prende-se à análise de economias externas e faz referência a investimentos passados - "a Vale investiu US$ 60 bilhões entre 2003 e 2009, criando valor significativo para seus acionistas" - e futuros, destacando o plano de US$ 12,9 bilhões aprovado pelo conselho de administração durante a fase mais crítica das pressões governamentais.

As cobranças, feitas diretamente pelo presidente Lula, referiam-se principalmente à necessidade de maiores investimentos no País, em especial no Pará, onde está localizado o principal complexo minerador da empresa. Nas perspectivas descritas no documento, não houve citação a um incremento dos investimentos em siderurgia, como quer o governo. Mas, horas antes da divulgação do resultado financeiro, a mineradora anunciou que estava entregando ao governo do Pará o estudo de impacto ambiental da siderúrgica de Marabá (ver ao lado).

Embora tenham registrado forte queda em relação ao terceiro trimestre de 2008, os resultados da Vale cresceram consideravelmente em relação ao segundo trimestre deste ano. A começar pelo lucro líquido, mais do que o dobro do resultado no trimestre anterior. A receita operacional, de R$ 13,582 bilhões, ficou 23,4% acima dos R$ 11 bilhões no segundo trimestre, embora tenha caído 36,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A margem de geração de caixa também cresceu 74,1% em relação ao segundo trimestre, para R$ 6 bilhões. O valor porém, é pouco mais da metade dos R$ 11,3 bilhões do terceiro trimestre de 2008.

A empresa também elevou sua concentração de vendas no exterior. No terceiro trimestre de 2008 - que marcou o recorde trimestral de lucro no resultado em reais -, as vendas para clientes no Brasil representavam 18,9% do total da receita. Caíram agora para 16,2%. Em compensação, a Vale aumentou substancialmente as exportações para seu principais mercado: a China, para R$ 4,929 bilhões no período. A recuperação de outros mercados, como o europeu, porém, reduziu um pouco a dependência da Vale nas vendas de minério de ferro e pelotas, seu principal produto. No segundo trimestre, 66,2% de todo o produto vendido embarcou para clientes chineses; agora, foram 54,6%.

RETOMADA

"A recessão global está chegando ao fim, com a recuperação ocorrendo mais cedo e em ritmo mais acelerado do que inicialmente esperado", atesta o documento do balanço, que prevê que a retomada econômica mundial tende a continuar, de forma gradual. "À medida que a economia global inicia uma recuperação de forma sincronizada, as economias emergentes estão num processo que tem sido liderado pela China, Índia, Indonésia, outras economias emergentes asiáticas e Brasil", diz o relatório.

A Vale destaca que os preços dos metais estão em recuperação, o que deve favorecer resultados futuros da companhia. De março a julho, diz a empresa, os preços registraram "o mais rápido e mais intenso aumento, comparado às recuperações de recessões globais registradas nos últimos 40 anos". Cita o exemplo do níquel, que atingiu o seu valor mínimo no auge da crise, em outubro de 2008 e, até setembro deste ano, já acumula de 80%.

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