Com falas mornas, candidatos se encontram em agenda de etanol

Discursos mornos e temas econômicos marcaram as falas dos três principais pré-candidatos à Presidência que se reuniram na noite de segunda-feira em São Paulo durante evento organizado pela indústria do álcool brasileira.

REUTERS

08 de junho de 2010 | 12h18

Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) tiveram quinze minutos cada para expor ideias relacionadas à importância econômica e ambiental da produção do etanol e indicar propostas para o setor. Discursaram separadamente e evitaram troca de acusações.

Primeiro a se apresentar, Serra listou políticas adotadas durante seu mandato como governador de São Paulo (2007-2010) e outras ações tucanas no Estado. Destacou a redução do ICMS do etanol para 12 por cento e defendeu uma alíquota única nacional.

"Eu acho que o governo federal tem que se jogar ativamente nessa negociação. Eu acho indispensável ter uma ação nesta direção para termos uma alíquota única", discursou.

"Quanto? É de se negociar. Eu defenderia 12 por cento", afirmou, sendo interrompido por aplausos da plateia.

Dilma, última a discursar, ressaltou as mudanças no setor durante os mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a maior participação do etanol no mercado interno.

"Foi o governo Lula, em 2003, que transformou o etanol em prioridade o que não vinha acontecendo em anos anteriores", disse a ex-ministra, em crítica a governos passados.

Sobre os impostos, a petista declarou ser "importante que se perceba como foi importante a luta desse governo (Lula) pela redução tarifária" e também defendeu a unificação das alíquotas estaduais.

Marina, ex-ministra de Meio Ambiente de Lula, defendeu uma agenda que leve ao desenvolvimento sustentável e criticou tentativas de alterar o código florestal. "Não podemos continuar a fazer essa oposição meio ambiente/desenvolvimento", disse.

No evento, os três pré-candidatos ouviram reivindicações do setor, entre elas a criação de linhas de crédito para os produtores, ação mais efetiva do Estado contra invasões de terras e normas trabalhistas no campo.

Não houve espaço para perguntas. Serra, que durante a tarde cumpriu agenda em Minas Gerais, preferiu deixar o evento logo após seu discurso e não acompanhou as falas de Marina e Dilma, que também saíram sem falar com a imprensa.

Esta foi a quarta vez que os três principais nomes da corrida presidencial se reuniram. Na última pesquisa Ibope, divulgada no fim de semana, Dilma e Serra apareceram empatados com 37 por cento das intenções de voto. Marina, em terceiro, teve 7 por cento.

(Reportagem de Hugo Bachega)

Tudo o que sabemos sobre:
POLITICACANDIDATOSETANOL*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.