Com fim das missões, astronautas buscam trabalho

Em apenas um ano, 20 profissionais deixaram o quadro da Nasa, que passará a buscar pessoas com menos experiência

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29 Abril 2011 | 01h40

Os membros do corpo de astronautas da Nasa (a agência espacial americana) não escondem o desânimo, agora que o programa dos ônibus espaciais está chegando ao fim e a probabilidade de participarem de algum tipo de voo se torna cada vez menor. Depois da Endeavour, que será lançada hoje, a Atlantis realizará a última missão dos ônibus espaciais em junho - e todos os assentos já foram reservados.

"O moral está bem baixo", admite Leroy Chiao, ex-astronauta que agora trabalha para uma empresa que pretende oferecer voos espaciais para turistas. Sob o governo do presidente Barack Obama, o programa de voos tripulados da Nasa foi alvo de cortes. Os programas Ares I e Constellation - que deveriam ser os sucessores dos ônibus espaciais e levar os astronautas até a Lua - foram cancelados. No lugar deles, a Nasa está contratando empresas terceirizadas para projetar alternativas. Assim, nos próximos anos, os astronautas americanos disputarão as poucas vagas na Estação Espacial Internacional (ISS, em inglês), à qual chegarão transportados por cápsulas russas Soyuz.

Somente no último ano, 20 astronautas deixaram o quadro de funcionários da Nasa - atualmente ele é formado por 61 deles, bem menos do que os cerca de 150 astronautas que integravam o departamento em 2000. Naquela época, a Nasa se preparava para tripular a ISS e os ônibus espaciais que a abasteciam.

A mudança trouxe grandes diferenças para pessoas como o capitão da Marinha Scott Altman, que participou de quatro missões. Mas, com uma altura superior a 1,90m, ele simplesmente não caberia numa cápsula Soyuz. Em agosto, ele anunciou seu desligamento da agência espacial e, agora, trabalha numa empresa que presta serviços de engenharia para a Nasa e outras agências federais.

A Nasa não vai interromper a contratação de astronautas, mas estes não serão mais pessoas com a experiência de Altman. Nos próximos 12 ou 24 meses, a agência vai recrutar uma nova turma composta por, no máximo, 12 astronautas.

E não faltam aspirantes. O trabalho ainda é tão romântico quanto são exigentes os critérios de admissão. De acordo com o site da Nasa, os candidatos devem ser capazes de nadar três piscinas olímpicas usando um uniforme de voo e calçando tênis; um diploma avançado de ciências ou matemática também ajuda.

Os requisitos são ainda mais exigentes para aqueles que quiserem trabalhar na estação espacial: é necessário domínio do russo, conhecimentos de robótica, treinamento para caminhadas no espaço e saúde suficiente para passar seis meses no espaço sideral.

Enquanto isso, as oportunidades de trabalho para astronautas fora da Nasa estão crescendo. A Virgin Galactic, empresa do magnata Richard Branson, está procurando três pilotos espaciais para seu avião a jato SpaceShipTwo, que pode inaugurar o ramo do turismo espacial no ano que vem. Embora o SpaceShipTwo seja projetado para dar saltos suborbitais, que proporcionam apenas alguns poucos minutos de sensação de ausência de gravidade, outras empresas - como Boeing e a SpaceX - estão desenvolvendo aeronaves que serão capazes de voar até a ISS e a outros destinos.

"Ser astronauta é o emprego mais bacana do mundo", disse Garrett Reisman, astronauta desde 1998, que deixou a Nasa no mês passado e foi trabalhar para a SpaceX, no projeto de um foguete (Falcon 9) e de uma nave espacial (Dragon) que devem ser capazes de transportar tripulantes, passageiros e cargas até a estação espacial. "Me parece que estamos entrando numa era dourada da viagem espacial - justamente o momento que eu gostaria de viver." / NYT. TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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