Com inclusão de japoneses, reféns mortos na Argélia chegam a quase 60

O número de reféns mortos nos quatro dias de cerco a um complexo de exploração de gás no Saara argelino subiu para quase 60, depois da notícia de que pelo menos nove japoneses estão entre os mortos.

LAMINE CHIKHI, Reuters

21 de janeiro de 2013 | 08h57

O primeiro-ministro argelino, Abdelmalek Sellal, deve realizar na segunda-feira uma entrevista coletiva para dar detalhes sobre o sequestro cometido por militantes ligados à Al Qaeda, que capturaram trabalhadores norte-americanos, britânicos, franceses, japoneses, noruegueses e romenos, numa das piores crises internacionais com reféns nas últimas décadas no mundo.

Uma fonte de segurança disse no domingo que soldados argelinos encontraram os corpos de 25 reféns, elevando a 48 o total de cativos mortos, e a pelo menos 80 o total de vítimas fatais do incidente. Essa fonte disse que seis militantes foram capturados vivos, e que militares estão procurando outros.

O número de mortos voltou a subir na segunda-feira, quando uma fonte do governo japonês relatou que a Argélia informou a Tóquio que nove japoneses estavam entre as vítimas fatais, maior grupo entre os estrangeiros na usina.

O veterano militante islâmico Mokhtar Belmokhtar, que é cego de um olho, assumiu a autoria do ataque, em nome da Al Qaeda.

"Nós, da Al Qaeda, anunciamos essa abençoada operação", disse ele em um vídeo, segundo o site regional Sahara Media. Ele disse que cerca de 40 militantes participaram da operação, cifra semelhante à citada pelo governo como sendo o número de sequestradores mortos ou presos.

Os sequestradores, que iniciaram a operação na madrugada da quarta-feira passada, exigiam o fim da intervenção militar francesa no vizinho Mali, que havia começado cinco dias antes. Fontes oficiais dos EUA e Europa, no entanto, acreditam que a operação havia sido planejada com bem mais antecedência.

A situação se tornou sangrenta no dia seguinte, quando o Exército argelino abriu fogo contra sequestradores que tentavam fugir com reféns.

Quase 700 trabalhadores argelinos e mais de cem estrangeiros fugiram, principalmente na quinta-feira, quando os combatentes foram expulsos da ala residencial da usina. Alguns militantes continuaram entrincheirados até sábado dentro do complexo industrial, quando foram finalmente dominados.

A ação abalou as relações da Argélia com seus aliados ocidentais, entre os quais alguns se queixam de não terem sido informados com antecedência da decisão de invadir a usina. França e Grã-Bretanha, no entanto, defenderam a operação militar argelina.

Outros estrangeiros mortos na operação incluem três britânicos, um norte-americano e dois romenos. Ainda estão desaparecidos cinco noruegueses, três britânicos e um estrangeiro residente na Grã-Bretanha. A fonte de segurança disse que há pelo menos um francês entre os mortos.

(Reportagem adicional de Anton Slodkowski em Tóquio, Balazs Koranyi em Oslo, Estelle Shirbon e David Alexander em Londres, Brian Love em Paris e Daniel Flynn em Dacar)

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