Com médicos, Rio vai abrir dois centros antidengue nesta terça

Nesta segunda, 87 profissionais do País passaram por treinamento; 271 médicos do Rio se dispuseram a trabalhar

Fabiana Cimieri e Talita Figueiredo, de O Estado de S.Paulo,

07 de abril de 2008 | 19h20

A chegada de 87 médicos e enfermeiros de diferentes partes do País no domingo e nesta segunda-feira, 7, vai possibilitar que a Secretaria Estadual de Saúde antecipe para terça-feira, 8, a abertura de dois dos quatro centros de hidratação para o tratamento da dengue que ainda estavam fechados por falta de profissionais. Os médicos passaram nesta segunda por um treinamento onde aprenderam sobre o protocolo de atendimento para a doença e a graduação de risco para dengue hemorrágica. Nesta terça, pelo menos mais 15 médicos devem chegar ao Rio.   Veja também: Especial - Acompanhe o avanço da dengue  Médicos confirmam que Diego Hypólito está com dengue Órgãos do Estado terão orientação contra mosquito da dengue No Dia da Saúde, Rio faz mutirão contra mosquito da dengue Brasil deve se preparar para ameaça maior de dengue, diz OMS   "Nós, que trabalhamos com saúde pública, entendemos que nos momentos de crise é necessário ter solidariedade. Além do mais, a passagem pelo Rio será boa também para acumular experiência num assunto que não temos domínio. Apesar de o Rio Grande do Sul não viver epidemia de dengue, não sabemos se ela chegará lá nos próximos anos. Será bom que alguns de nós já tenhamos alguma experiência", afirmou o pediatra gaúcho Nilson Maestro Carvalho, de 47 anos, que chegou ao Rio no domingo. Os médicos vão receber R$ 500 por plantão de 12 horas.   Nesta tarde, desembarcaram no aeroporto Santos Dumont, no centro da cidade, 48 profissionais de saúde do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. Ao contrário dos outros, eles não vão receber dinheiro do Estado. Os profissionais já chegaram ao Rio divididos em três equipes de plantão completas e trouxeram um caminhão cheio de equipamentos, para testes laboratoriais e tratamento da doença, e uma ambulância. Os paulistas serão lotados na tenda que abre nesta terça no Quartel do Corpo de Bombeiros do Méier, na zona norte, ao lado do Hospital Salgado Filho.   "É uma iniciativa privada, uma vez que o Estado do Rio vive uma crise na saúde e o Estado de São Paulo ainda não conseguiu mandar médicos. Estamos aqui prontos para entrar na guerra contra a dengue", disse a pediatra Denise Katz, de 42 anos. Nas bolsas pessoais, o grupo se equipou com vários vidros de repelente. Já na van que os esperava na porta do aeroporto, a técnica de enfermagem Gabriela Francischelli, de 22 anos, resolveu se proteger. "Não posso voltar pra casa com dengue", afirmou.   Também será inaugurada nesta terça-feira a tenda da Gávea, próxima ao Hospital Miguel Couto, na zona sul. Cada uma delas terá 24 poltronas cada uma e capacidade para realizar entre 300 e 400 atendimentos por dia. Nos próximos dias, mais duas tendas devem começar a funcionar, em São Gonçalo, na Região Metropolitana, e em Realengo, na zona oeste.   Médicos do Rio   A presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), Marcia Rosa de Araújo, reuniu-se nesta tarde com o secretário Estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, para entregar uma lista com o nome de 271 médicos que se dispõe a trabalhar em plantões de 12 horas ou 24 horas, pelo mesmo valor que será pago aos médicos de fora do Estado. "Ninguém se apresentou antes por causa dos valores irrisórios (R$ 250) que o Estado estava pagando, mas esses valores são razoáveis (R$ 500)", disse Márcia Rosa.   O secretário disse que não terá problema em igualar os salários. "Nossa preocupação não é essa. O governador deu uma ordem. Deu um cheque em branco para que façamos todos os investimentos necessários. Se é esse o problema, será atendido", rebateu Côrtes. Desses 271 médicos, 114 são pediatras. "É a nossa maior deficiência, mas com a ajuda dos médicos do Rio vamos conseguir abrir as quatro tendas nos próximos dias", afirmou o secretário.   Para Côrtes, a epidemia de dengue no Rio ainda está no ápice, mas ele disse ter ficado satisfeito por não ter mais nenhum paciente na fila de internação. Na semana passada, havia 314 pacientes, dos quais 174 crianças, esperando leito para ser internado. "Não é fácil para um secretário de Estado pedir ajuda a outros Estados, mas a vida humana está acima de qualquer orgulho", reconheceu.

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