Com Obama ou McCain, Brasil espera mais protecionismo

Governo avalia que novo presidente dos EUA dará prioridade a questões internas.

Fabrícia Peixoto, BBC

04 Novembro 2008 | 11h18

Na avaliação do governo brasileiro, seja Barack Obama ou John McCain, o novo presidente dos Estados Unidos deverá adotar uma política comercial protecionista, contrária aos interesses do Brasil. A avaliação do governo brasileiro, de uma forma geral, é de que a atual conjuntura deverá se sobrepor à ideologia dos partidos, seja ele democrata ou republicano.Segundo fontes do governo ouvidas pela BBC Brasil, dois fatores conjunturais justificam essa expectativa: a crise financeira e a tendência de maioria democrata no Congresso americano.Em uma situação normal, o Partido Democrata americano tende a ser mais protecionista, enquanto o Republicando é, tradicionalmente, a favor do livre comércio.Mas, o novo presidente dos Estados Unidos assumirá o cargo em meio a uma das piores crises financeiras da história.Tanto Obama quanto McCain terão, como prioridade, evitar que o país mergulhe na recessão.Temas como imigração e comércio, de interesse do Brasil, devem ficar em segundo plano, independentemente de quem seja eleito.Nesse contexto, as chances de uma política americana mais liberal são reduzidas.E mesmo McCain, que em tese poderia ser a melhor opção para o Brasil em termos de política comercial, terá dificuldades de resistir a pressões por fechamento do mercado americano.Além disso, a avaliação do governo brasileiro é de que o novo presidente vai governar com uma casa legislativa majoritariamente democrata e, portanto, mais protecionista. "Seja Obama, seja McCain, o novo presidente vai lidar com um Congresso muito mais preocupado em resolver problemas internos", diz uma fonte do Planalto.PreferênciaA posição oficial do Brasil é de neutralidade na disputa eleitoral dos Estados Unidos. Apesar disso, Lula declarou, recentemente, que seria "extraordinário" ter um negro à frente da maior economia do mundo.Assessores do presidente afirmam que essa é uma "opinião pessoal" e que a preferência de Lula por Obama tem um cunho simbólico, e não considera os efeitos práticos que o candidato democrata traria para o Brasil. "Para o presidente, o importante é a mensagem de mudança que Obama traz, nada além disso", diz a mesma fonte. 'McBama' Na opinião de Marcos Azambuja, ex-embaixador do Brasil em Buenos Aires e em Paris, tanto McCain quanto Obama defendem idéias que vão ao encontro da política externa brasileira, e também pontos contrários."Pode-se dizer que o ideal, para o Brasil, seria um McBama", diz. Por um lado, McCain poderia beneficiar o Brasil em questões mais práticas, sobretudo em relação ao comércio e à redução dos subsídios agrícolas nos Estados Unidos.Já Obama, diz Azambuja, está mais alinhado ao Brasil no que diz respeito às grandes causas, como meio ambiente e desarmamento.Nesse cenário de empate, diz o embaixador, a preferência de Lula por Obama é "compreensível"."Em matéria de diplomacia presidencial, a relação pessoal entre dois líderes é tão importante quanto fatores políticos ou econômicos".Segundo ele, a afinidade entre Lula e Obama é mais "clara", já que os dois foram considerados presidentes "improváveis" e se elegeram em meio a um desejo de rompimento com a política anterior."Acredito que a chance de sucesso da política externa brasileira em relação aos Estados Unidos, com Obama à frente, é maior, pois há uma clara identificação entre os dois" diz Azambuja.Além de votar para presidente, os americanos vão votar em novos congressistas e, em alguns Estados, escolher um novo governador e opinar em referendos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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