Com ou sem buzina, abram alas: o sorveteiro vem aí!

Alguns trocados, e a alegria: pouca gente nos faz rir à toa por tão pouco como o querido homem do carrinho

Giovanna Tucci, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2008 | 03h21

Quem nunca correu atrás? Ou desejou, em um dia especialmente quente, encontrar este senhor de uniforme azul ou branco? Ou, ainda, esperou ansiosamente o sinal do fim da aula torcendo para "ele" ainda estar ali, na porta do colégio? Muitos já não levam a buzina que anunciava sua tão esperada passagem. Mas eles continuam pela cidade. São, você já percebeu, os sorveteiros. José Domingos Amado vende picolés só há 15 dias, porém já entendeu que a profissão, essa da qual nos recordamos com certa nostalgia e cuja menção pode até provocar água na boca, não é para qualquer um. "Fico andando o dia todo", conta ele, que vende, em média, 150 picolés Docelândia por dia, a R$ 0,60, no Jardim Bonfiglioli. "O pessoal gosta mais de milho verde, coco e amendoim." Outro José, Joselito José de Lima, fica há sete anos, das 11h às 18h30, na porta da Escola Lourenço Castanho, na Vila Nova Conceição. "Meu tio, Benedito Lino, o Lino, passou o carrinho pra mim após 30 anos nesta mesma porta." Depois do expediente, José, que vende produtos da Nestlé, deixa o carrinho no ginásio do Parque do Ibirapuera e vai buscá-lo na manhã seguinte, assim como outros 12 sorveteiros. E para manter os picolés bem gelados? "O carro é cheio de gelo seco. No ginásio, os picolés ficam no freezer." A disposição no carrinho não importa: todos vendem bem, diz José. Mas dois sabores saem mais: coco e chocolate. Um dos colegas de José é - sim, mais um - José Luiz Barbosa, o seu Zé. Há 14 anos no ramo, ele trabalha em frente ao Clube Atlético Paulistano, nos Jardins. Toda manhã, faz "meia hora de cooper" até seu ponto. Só encontra o xará no fim de semana, quando vendem sorvetes juntos, cada um em um local do Ibirapuera. E de vez em quando chupam - ufa - um picolé para refrescar.

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