Com racha entre EUA e Índia, Doha tem novo colapso

Terminou sem acordo na terça-feira alonga reunião da Organização Mundial de Comércio (OMC), emGenebra. O fracasso ocorreu principalmente pela falta deentendimento entre Estados Unidos e Índia a respeito de ummecanismo de proteção a pequenos agricultores. Ministros dos outros países manifestaram perplexidade com ofato de a reunião ministerial naufragar depois de nove dias porcausa de uma questão técnica. "Alguém vindo de outro planeta não acreditaria que depoisdo progresso que foi feito não conseguimos concluir", disse ochanceler do Brasil, Celso Amorim. "Este é um fracasso muito doloroso e um verdadeiro revéspara a economia global num momento em que realmenteprecisávamos de uma boa noticia", acrescentou a jornalistas,emocionado, o comissário (ministro) europeu do Comércio, PeterMandelson, observando que os países em desenvolvimento seressentirão mais. Mesmo sem ter impacto imediato sobre o comércio, o fracassoda rodada ministerial pode prejudicar a confiança dosinvestidores, alimentar o protecionismo, estimular mais acordoscomerciais bilaterais e colocar em dúvida como o mundo podeagir coordenadamente em questões complexas como o aquecimentoglobal e a crise alimentar. O resultado do encontro de Genebra significa que, sete anosdepois de lançada, a chamada Rodada de Doha da liberalizaçãocomercial mundial deve ser arquivada durante anos --ou mesmopara sempre. Mas o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, prometeu "nãojogar a toalha" e disse que os ministros esperam que ele retomeas negociações em breve. Lamy afirmou que o acordo representaria para o mundo umaeconomia de 130 bilhões de dólares por ano em tarifas. Foi Lamy quem convocou 35 ministros de países-chave da OMCpara se reunirem em Genebra na busca da conclusão da rodada.Após oito dias de encontro, havia consenso sobre 80 a 85 porcento da proposta nas questões agrícolas e industriais, segundoele. PÁ DE CAL Mas o processo acabou sucumbindo às diferenças entre paísesricos e pobres e entre exportadores e importadores. A pá de calfoi o chamado "mecanismo especial de salvaguardas", discutidona segunda e terça-feira, que permitia a um país elevar tarifasagrícolas para proteger seus produtores de surtos deimportações ou queda de preços. Países como Índia e Indonésia dizem que esse mecanismo énecessário para proteger milhões de pequenos produtores ruraisda abertura dos mercados. Os EUA, por outro lado, temem comisso a perda de novos mercados para o seu agronegócio --quepelo acordo já teria de abrir mão de subsídios. Além disso, EUA e União Européia também discordavam daspropostas de Índia e China para que suas indústrias tivessem umcerto grau de proteção. A representante comercial dos EUA, Susan Schwab, disse quetodas as ofertas feitas durante esses nove dias continuamválidas. "Para garantir que os avanços feitos nesta semana não sepercam, os Estados Unidos vão manter nossas atuais ofertas, masmantemos que elas ainda dependem de os outros apresentaremofertas ambiciosas, que criem novo acesso a mercados. Atéagora, essa ambição não é evidente." Mas ainda ninguém sabe se e quando o processo seráretomado. Amorim acha que pode levar três ou quatro anos.Mandelson acredita que não há chance de resolver as principaisquestões num futuro visível. (Com reportagem adicional de Laura MacInnis, Robin Pomeroye William Schomberg)

JONATHAN LYNN E DOUG PALMER, REUTERS

29 de julho de 2008 | 18h36

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