Com real forte, CNA recomenda a produtor não elevar plantio

A valorização do real frente ao dólar deixa o produto agrícola brasileiro menos competitivo, e por isso a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) recomenda cautela na safra 2009/10, cujo plantio se desenvolve no momento.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

30 Outubro 2009 | 18h44

No ano, o dólar registra uma queda de quase 25 por cento frente ao real.

"Estamos perdendo competitividade, e o produtor brasileiro tem que estar atento... (Por causa do câmbio) é mais barato ao chinês comprar soja dos Estados Unidos do que a soja brasileira", disse a senadora Kátia Abreu, presidente da CNA, a jornalistas, após palestra em seminário da Abitrigo, em São Paulo, nesta sexta-feira.

Cautela, explicou a senadora, significa "não avançar no plantio, na produção, no endividamento".

A soja é o principal produto do agronegócio do Brasil, e a China é o maior importador mundial da oleaginosa.

Entre outras coisas, observando a manutenção da forte demanda chinesa, o produtor está ampliando o plantio de soja no Brasil, até porque os preços do milho, cultivo concorrente da oleaginosa, não estão remunerando adequadamente.

Se o tempo ajudar, o Brasil pode ter uma safra recorde.

Por não ter como exigir dos agricultores que eles não elevem a produção, a CNA está buscando modelos políticos para que o país tenha um "controle centralizado da produção".

"Não posso dizer: 'só plante mil hectares', mas posso dizer: 'só financio mil hectares'. É uma forma de controle, comos os EUA fazem", declarou.

A senadora e técnicos da CNA embarcam no sábado para os Estados Unidos com o objetivo de conhecer de perto o modelo norte-americano.

"Quero ver como funciona o crédito, formação de preço, como se comporta a CNA deles junto ao Congresso...", disse.

A senadora espera trazer ideias para incluir na nova política para o setor que vem sendo discutida com o governo há mais de oito meses.

A proposta da CNA é transformar os agricultores em pessoas jurídicas, fazer a "pejotização" do setor, ao mesmo tempo em que seria feita uma desoneração da cadeia produtiva.

Esse novo modelo para o agronegócio só entraria em vigor em um prazo de mais duas safras, segundo a dirigente.

Enquanto isso, a senadora está preocupada com os preços pagos aos produtores, pois acha que a colheita 09/10 vai crescer.

(Edição de Denise Luna)

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