Com restrições no mercado interno, Cade aprova BRF

Com fortes restrições no mercado interno, como vendas de ativos e marcas, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou nesta quarta-feira a incorporação da Sadia pela Perdigão, que deu origem à Brasil Foods.

PATRÍCIA DUARTE E LEONARDO GOY, REUTERS

13 de julho de 2011 | 17h19

O acordo, por outro lado, mantém boa parte do fôlego da empresa no exterior, já que conseguiu ficar com a marca Sadia intacta, com bastante penetração no mercado internacional.

O acordo, denominado Termo de Compromisso de Desempenho (TCD), fechado entre o Cade e a BRF teve voto favorável de quatro dos cinco conselheiros do Cade habilitados a votar.

Apenas o conselheiro Carlos Ragazzo, que foi o relator original do caso, manteve seu voto contrário à operação, argumentando que o acordo não garante necessariamente a competição no setor.

Votaram a favor os conselheiros Ricardo Ruiz, Alessandro Octaviani, Marcos Paulo Veríssimo e Olavo Chinaglia.

"O período curto de tempo que negociamos mostra a disposição desse conselho (de chegar a um acordo). A empresa (BRF) mudou radicalmente sua posição inicial (para negociar)", afirmou Ruiz.

O negócio que criou uma gigante do setor de alimentos no Brasil e também a maior exportadora de carne de frango do mundo, estava sob avaliação do órgão desde 2009, quando foi fechado.

VENDAS, SUSPENSÕES E UMA NOVA RIVAL

Pelo acordo, haverá a suspensão da marca Perdigão por três a cinco anos para os produtos como salame, lasanha, pizza congelada, almôndegas, kibes, frios saudáveis.

O acordo prevê também que a marca Batavo poderá atuar em qualquer mercado, com exceção das carnes processadas, onde ficará suspensa por quatro anos.

Ao todo, a BRF terá de se desfazer de 12 marcas consideradas secundárias, como Rezende, Fiesta, Confiança e Texas, além das marcas de margarina Doriana e Delicata.

A empresa também terá de vender diversas unidades produtivas, como 10 fábricas e dois abatedouros de suínos e mais dois de aves, além de oito centro de distribuição. No geral, a vendas dos ativos equivalem à capacidade de produção de 730 mil toneladas ao ano.

Outro ponto acertado foi que os ativos alienados sejam vendidos para uma única empresa, para que essa companhia possa rivalizar com a BRF nos mercados.

"Tínhamos duas empresas dominantes (Perdigão e Sadia). Elas se fundiram, temos de criar outra empresa dominante", disse Ruiz, ao explicar a jornalistas que os ativos a serem vendidos têm de ser arrematados por uma mesma empresa.

Para fontes do setor e do mercado, não faltarão interessados nos ativos que serão vendidos pela BRF.

A Marfrig mostrou interesse inicial na compra dos ativos, disse uma fonte próxima da situação mais cedo nesta quarta-feira. Procurada pela Reuters, a assessoria da Marfrig informou que a empresa prefere não comentar o assunto no momento.

No mês, representantes da empresa e do Cade tiveram mais de 40 reuniões para tentar fechar o TCD. Pouco antes do início da sessão do Cade nesta quarta-feira, eles ainda acertavam os últimos detalhes do acordo.

Apesar da rapidez com que o TCD foi concluído, as negociações não foram fáceis. A primeira proposta apresentada pela BRF aos conselheiros do Cade nesta etapa não previa nenhum movimento com a marca Perdigão.

Os conselheiros, por outro lado, entendiam que a melhor solução seria a venda total da marca, inclusive com os ativos. Diante do impasse, acabaram chegando no acordo aprovado nesta quarta-feira.

Para o vice-presidente de Assuntos Corporativos da BRF, Wilson Mello Neto, as restrições não serão um problema para a empresa continuar competindo. O melhor de tudo, ressaltou, é que a operação foi aprovada.

"O mais importante de tudo é que hoje, dia 13 de julho, conseguimos passar por essa etapa", disse a jornalistas.

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