Gilberto Jr/AE
Gilberto Jr/AE

Com sotaque caipira

Refúgio de um casal de gourmets em Campos do Jordão ganha decoração que revisita as antigas moradas paulistas

Marcelo Lima - O Estado de S. Paulo,

11 Junho 2011 | 16h00

Pense na simplicidade das casas do interior. Em ambientes quase inteiramente de madeira, repletos de tecidos artesanais, paredes nuas, com pouco, ou quase nenhum, revestimento. Acrescente a eles, grandes aberturas, uma ampla varanda gourmet e uma paisagem a perder de vista. Tem-se assim uma boa aproximação do que significa viver - ou se hospedar - nesta acolhedora casa de três pavimentos, solidamente assentada no sopé de uma colina em Campos de Jordão. O ponto de equilíbrio de um jovem casal de gourmets paulistano, neste e nos próximos invernos.

 

"Trata-se da segunda fase de uma reforma empreendida pelo casal em um imóvel já existente. Para eles, bem receber é prioridade absoluta. Assim, o projeto foi todo orientado nessa direção", diz a arquiteta Marina Linhares, responsável pela mais recente remodelação. "Na primeira etapa, grande ênfase foi dedicada à troca dos revestimentos, como forma de aquecer a ambientação", conta ela. A partir daí, a madeira, em diversas texturas e tonalidades passou a integrar quase todos os espaços da casa, aparecente em todos os níveis do projeto.

 

"O desejo deles era contar com ambientes despretensiosos. Algo muito simples, mas nem por isso menos sofisticado", diz a arquiteta, para quem o desenho da área externa acabou se convertendo no ponto alto da última reforma. Equipada com forno ao ar livre, sala "outdoor" e "arquibancada" para visualização da paisagem, na atual configuração, a laje existente no pavimento superior da casa, acabou se transformando em uma agitada varanda.

 

"Trabalhar sobre uma construção pré-existente impõe desafios. Uma vez que a distribuição interna estava equacionada, minha ideia foi ocupar a área externa de forma dinâmica. Integrar seu uso ao cotidiano da casa, fazer dela algo mais do que uma simples área de contemplação", explica Marina. Interligado ao living e à adega, o espaço interativo traz degraus revestidos de madeira com almofadas, sobre as quais os muitos convidados do casal podem desfrutar da beleza da paisagem local, com vista privilegiada para a Pedra do Baú. Além de uma instalação para lá de especial: uma lareira ao ar livre, em tordo da qual estão dispostas confortáveis poltronas. A mais disputada locação da casa nas frias noites da montanha.

 

Tons campestres. Em contrapartida à grandiosidade da varanda, as demais dependências da casa investem em introspecção e revelam o apreço da arquiteta por um décor de linhas leves e tonalidades campestres. "Procurei inserir a decoração no contexto local, fazer dela uma típica casa de campo, mas sem estilizações", pontua Marina, que, além de reaproveitar o mobiliário já existente na residência, atualizou a composição, introduzindo algumas peças de design, como a mesa de jantar extensível da Etel Interiores e do conjunto de poltronas Radar, assinadas por Carlos Motta, instaladas no centro do living.

 

Para receber os frequentes hóspedes, duas novas suítes desenhadas pela arquiteta foram incorporadas à construção. Como também uma sala íntima com TV, construída em local onde anteriormente existia apenas um vão livre. Em todos eles, a presença de uma delicada combinação de madeira, tecidos artesanais e móveis em fibras naturais se faz notar. "O rústico tem tudo a ver com o clima de uma casa no campo, mas isso não quer dizer que ele não possa ser usado de uma forma mais ousada", explica Marina, citando, como exemplo, o desenho da multifuncional cozinha da casa.

 

Um ambiente que conjuga ocupação contemporânea e referências à vida no campo. "O uso do vermelho não foi apenas estético, mas também simbólico. Ele remete a fogo e calor. Funciona como um código afetivo. Nada mais adequado à atmosfera que pretendíamos imprimir ao espaço", explica Marina, que dotou a cozinha de armários com portas de laca brilhantes, revestidos na cor. Um evidente contraponto às tonalidades rebaixadas da madeira clara, empregada em profusão nos móveis e revestimentos, e também ao brilho contemporâneo do aço inoxidável.

 

Um espaço de perfil cenográfico, que mistura ladrilhos hidráulicos e equipamentos de inox. Galinhas caipiras artesanais e fogão de última geração e onde tudo - na melhor tradição das cozinhas interioranas - parece estar ao alcance das mãos: dos eletrodomésticos aos utensílios de preparo, das louças aos talheres. Vermelha e pulsante, ela é o coração da casa. "E poderia existir lugar melhor para se sentir em casa do que no calor da cozinha?", conclui a arquiteta.

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