Com vitória à vista, divisões na oposição síria se aprofundam

Três diferentes grupos de oposição da Síria elaboraram propostas de governo de transição na semana passada, um sinal de que as diferenças entre as muitas facções que se opõem ao presidente Bashar al-Assad estão se aprofundando mesmo enquanto a vitória se aproxima.

Reuters

05 de agosto de 2012 | 12h29

Com disputas alcançando Damasco e Aleppo no mês passado, países do Ocidente estão cada vez mais ansiosos para que os grupos desiguais concordem a respeito de um plano digno de confiança de um governo de transição, para o caso de Assad cair.

O chefe do Conselho Nacional Sírio (SNC, na sigla em inglês), uma organização de longa data que agrega diversos grupos de oposição, disse que negociações ocorrerão em semanas para formar um governo transicional.

No dia seguinte, o Exército da Síria Livre, um grupo de insurgentes que luta contra as forças de Addad, divulgou uma proposta diferente que inclui o estabelecimento de um conselho superior de defesa, unindo civis e militares.

E um dia depois, um grupo de ativistas exilados Sírios que se afastaram do SNC, anunciou uma nova aliança de oposição cujo objetivo é, também, formar um governo de transição.

Não é novidade nem uma surpresa que a oposição síria seja dividida. Os oponentes de Assad incluem islâmicos e secularistas, curdos e árabes, árabes sunitas e membros de minorias religiosas, ex-oficiais do exército e os ativistas políticos que eles um dia perseguiram, exilados e soldados no país.

Países ocidentais temem que matanças sectárias podem dificultar a interrupção das lutas, mesmo com a queda de Assad, e poderia levar ao tipo de chacina que explodiu no Iraque após Saddam Hussein ser derrubado.

Entretanto, alguns especialistas dizem que a fragmentação da oposição tem um lado positivo, demonstrando o renascimento do pluralismo após décadas de repressão sob o mandato da família Assad.

"Essa é uma sociedade política emergindo após quase nada. Então a diversidade é normal e saudável", disse o especialista em Oriente Médio do think tank Chatham House, em Londres.

(Por Yara Bayoumy)

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