Comandante da PM quer mais 1.000 policiais nas ruas do Rio

O novo comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o filósofo Mário Sérgio Duarte, anunciou na quarta-feira uma "modernização" da corporação, que prevê mudanças estruturais e conceituais.

REUTERS

08 Julho 2009 | 18h04

O coronel pretende ampliar em pelo menos 1.000 homens o número de policiais nas ruas, reduzindo o contingente em funções burocráticas nos quartéis.

O coronel disse ainda que vai trocar 70 por cento dos comandos dos batalhões do Estado; acelerar as investigações de denúncias contra policiais militares; estabelecer metas de atuação para os batalhões e ampliar o treinamento de policiais.

"Tenho certeza que não estou entrando com o pé na porta. Modernizar a corporação não é meter o pé na porta, mas a porta tem que ser aberta", disse a jornalistas o novo comandante da PM, que foi empossado nesta quarta depois de substituir o coronel Gilson Pitta.

Ampliar o efetivo de policiais nas ruas é considerado por Duarte uma das prioridades de curto prazo da nova gestão, repetindo o discurso do secretário de Segurança Pública, Mariano Beltrame, na terça-feira.

"É uma questão emergencial devolver à polícia a função de polícia visível e ostensiva. Temos que prevenir e evitar. Essa é uma função constitucional", destacou o coronel.

Os 1.000 homens que serão disponibilizados com a redução da burocracia serão realocados para áreas consideradas mais perigosas do Estado e destacados para as unidades de policiamento pacificador instaladas em favelas do Rio.

"Essa é uma política consolidada e vamos fazer todo o esforço para ampliá-la", acrescentou o coronel. Segundo a Secretaria de Segurança, as favelas já foram "ranqueadas" para orientar a atuação da polícia.

Duarte afirmou ainda que vai buscar mais integração com a Polícia Civil, motivo de uma antiga discussão no Estado.

Uma das medidas mais polêmicas anunciadas por Duarte é a introdução da "meritocracia" para promoções na PM fluminense. Segundo ele, tempo de serviço não será mais garantia de ascensão na corporação.

"Temos que trabalhar com gestão, qualidade e resultados. Não podemos ficar engessados na idade", disse Duarte. "Gestão é competência e resultado. Antiguidade não é posto."

Outro grande desafio do coronel Duarte será incluir a PM na era digital. Até hoje não há troca de informações digitalizadas entre os batalhões do Rio. "Só temos arquivos de papel", revelou Duarte.

A posse do novo comandante na sede do quartel general da PM teve a presença do governador Sérgio Cabral e da cúpula da polícia do Rio.

"Tenho certeza que esse jovem coronel saberá dar à instituição a reciclagem necessária sem perder a tradição. Ambas não são incompatíveis", declarou Cabral em discurso.

A nova mudança no comando da PM do Rio foi criticada pelo ex-comandante da corporação Ubiratan Ângelo, que foi o primeiro chefe da corporação na gestão Sérgio Cabral.

"A minha percepção é que não há uma política de segurança. Em três anos já temos dois chefes de polícia e três comandantes de PM. Alguma coisa não está se adequando. A polícia atua de acordo com a estratégia da Secretaria de Segurança", declarou Ângelo.

(Por Rodrigo Viga Gaier; Edição de Tatiana Ramil)

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