Combates na Síria matam 32 e sauditas veem plano de paz em crise

Combates na Síria mataram pelo menos 32 pessoas nesta segunda-feira, disseram ativistas, enquanto a Arábia Saudita avaliou que a persistência da violência está retalhando a credibilidade de um plano de paz internacional para o país.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

14 Maio 2012 | 17h58

Longe dos campos de batalha, a busca por uma alternativa viável ao regime do presidente Bashar al-Assad sofreu um baque com o anúncio de que uma frente oposicionista no exílio irá boicotar reuniões promovidas por países árabes com o objetivo de unificar o fracionado movimento antigoverno.

A violência agora parece focada em Rastan, onde, segundo fontes da oposição, rebeldes mataram 23 membros das forças de segurança de Assad, depois de bombardeios das forças legalistas que teriam matado nove pessoas no centro da cidade.

Rastan, 180 quilômetros ao norte de Damasco, é um reduto da oposição que já escapou em várias ocasiões das mãos do governo nestes 14 meses de rebelião contra Assad.

"Granadas e foguetes estão atingindo a cidade desde 3h (21h em Brasília), ao ritmo de um por minuto. Rastan está destruída", disse à Reuters por telefone satelital um membro do Exército Sírio Livre (ESL, rebelde). Ele disse que entre os mortos está o comandante rebelde Ahmad Ayoub.

Já o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha, disse que os rebeldes destruíram três blindados de transporte do governo e apreenderam outros dois, além de capturarem cerca de 15 soldados.

A agência estatal de notícias disse que "terroristas" assassinaram um oficial militar em Damasco e um agente de inteligência em Deraa.

Restrições impostas pelo governo sírio à imprensa impedem a confirmação de relatos vindos do país.

Na frente diplomática, o chanceler saudita, Saud al-Faisal, que anteriormente propôs dar armas aos rebeldes, disse nesta segunda-feira que o plano de paz do enviado internacional Kofi Annan faz cada vez menos sentido, já que a violência perdura desde a implantação de uma trégua em 12 de abril.

"A confiança nos esforços do enviado das Nações Unidas e da Liga Árabe começou a diminuir rapidamente", disse ele em entrevista coletiva na capital saudita, Riad.

Na quarta e quinta-feiras, a Liga Árabe pretende promover no Egito uma reunião destinada a unificar a oposição a Assad, mas o influente Conselho Nacional Sírio, que atua no exílio, disse que não vai participar por não ter sido convidado "como órgão oficial, e sim como membros individuais", segundo relato feito à Reuters pelo ativista Ahmed Ramadan, em Roma, onde o grupo tenta definir sua liderança.

Em nota, o grupo disse que não participará do encontro da Liga Árabe porque teme que esse processo leve a negociações com Assad, ao invés da sua derrubada.

"Nenhuma negociação pode ser realizada adequadamente a não ser que seu objetivo seja acabar a ditadura e levar o país para o regime democrático", disse o grupo.

As disputas internas do CNS impedem que a entidade obtenha reconhecimento internacional pleno como representante do movimento anti-Assad. Dirigentes disseram à Reuters que eles podem escolher um novo presidente ou reestruturar o conselho de modo a obter um apoio mais amplo.

(Reportagem adicional de Oliver Holmes, em Roma; de Sebastian Moffett, em Bruxelas; e de Steve Gutterman, em Moscou)

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