Combates são intensos na capital da Síria, dizem moradores

Rebeldes enfrentaram forças do governo nesta segunda-feira em Damasco, na mais violenta batalha na capital síria em um ano de revolta contra o presidente Bashar al Assad, segundo ativistas da oposição.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

19 Março 2012 | 11h52

Os combates abalaram a calma noturna no elegante bairro de Al Mezze e ocorreram apenas dois dias depois de um duplo atentado com carro-bomba deixar pelo menos 27 mortos no centro da capital.

"Esses confrontos foram os mais violentos e os mais próximos da sede das forças de segurança em Damasco desde a erupção da revolução síria", disse o diretor do grupo oposicionista Observatório Sírio de Direitos Humanos, Rami Abdulrahman. A entidade tem sede na Grã-Bretanha.

Segundo ele, 18 soldados do governo ficaram feridos nos combates, iniciados logo depois da meia-noite na zona oeste da capital. Testemunhas disseram que disparos de metralhadoras e granadas de propulsão foram ouvidos durante duas ou três horas no bairro de Al Mezze.

Uma dona de casa que mora na área afirmou que a polícia bloqueou várias ruas vicinais e que a iluminação pública havia sido interrompida.

Há mais de um ano o governo reprime com violência protestos pela renúncia de Assad, numa crise que cada vez mais ganha contornos de uma guerra civil. A ONU diz que mais de 8.000 pessoas foram mortas e cerca de 230 mil fugiram das suas casas, das quais cerca de 30 mil rumo ao exterior.

MISSÃO DA ONU

Segundo o governo, cerca de 2.000 soldados e policiais já morreram por causa da ação de "grupos terroristas armados" que estariam sendo patrocinados pelo exterior.

É difícil confirmar os relatos vindos da Síria, por causa das restrições do governo ao trabalho de jornalistas e grupos de direitos humanos.

Uma equipe conjunta de especialistas da ONU e da Organização para a Cooperação Islâmica, sob comando do governo sírio, iniciou uma missão para avaliar as necessidades humanitárias de todo o país, disse uma fonte próxima à missão nesta segunda-feira.

O grupo deve visitar áreas afetadas pela rebelião, incluindo a cidade de Homs, cenário de um mês de cerco e de uma invasão militar em fevereiro, e Deraa, onde a revolta contra Assad surgiu.

O enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, deve mandar ainda na segunda-feira uma equipe de especialistas a Damasco para discutir sua proposta de despachar monitores para a Síria, num esforço para conter a violência.

Assad, que recebe o importante apoio da Rússia e da China no Conselho de Segurança da ONU, tem questionado a eficácia dessa missão.

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