The Garlic Farm/Divulgação
The Garlic Farm/Divulgação

'Combina até com o Dia dos Namorados'

Em seu microcosmo alheiro, a família Boswell cultiva o bulbo e com ele produz geleia, chutney e até cerveja

Cíntia Bertolino, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2013 | 03h04

Na ilha de Wight, Inglaterra, a família Boswell se especializou na cultura do alho. Cultura em todos os sentidos da palavra, pois além de cultivar o bulbo há mais de 50 anos, a The Garlic Farm funciona como um microcosmo para assuntos alheiros. Lá, é possível comprar produtos como alho defumado, geleia de alho, manteiga, chutney... o The Garlic Farm Cookbook ou simplesmente sentar no café e experimentar pratos cujo ingrediente onipresente é... alho.

No próximo mês, a ilha hospeda o Festival do Alho, nos dias 17 e 18. Descrito como uma mistura dos festivais de música dos anos 60, com exposições de produtores e pratos e guloseimas para amantes do alho, o evento atraiu 25 mil pessoas no ano passado.

Entusiasta de tudo o que gira em torno da família do Allium sativum e reconhecidamente um dos melhores produtores da Inglaterra, Colin Boswell contou que o alho nem sempre foi um ingrediente apreciado na mesa inglesa. "Levou tempo para os ingleses assimilarem e apreciarem essa maravilha", disse Boswell em entrevista.

Como foi criar uma cultura em torno do alho?

Alho é um assunto muito interessante. Para vocês no Brasil talvez seja difícil imaginar o porquê, já que o alho faz parte da cultura latina. Mas, historicamente nas culturas anglo-saxãs e do norte da Europa, as pessoas por muito tempo sofreram do que eu chamo de "alhofobia". Tinham um medo terrível de alho.

Por quê?

O cheiro de alho remetia a algo estrangeiro, estava associado a costumes pouco higiênicos. Há muitos anos, na Inglaterra, alguém cheirando a alho indicava que a pessoa não tinha muito acesso à água corrente, consequentemente, era pobre.

Se havia essa resistência ao alho, por que cultivá-lo?

Depois da guerra, Elizabeth David (1913-1992) escreveu vários livros sobre cozinha mediterrânea e cozinha provençal, como Mediterranean Food (Comida Mediterrânea, 1950, sem tradução). Ela apresentou aos ingleses a cozinha francesa. E quase todas as receitas levavam alho. Por causa dela, as coisas começaram a mudar. Minha avó passou a cozinhar com esses livros e a gostar muito de alho. Logo em seguida, resolveu cultivá-lo.

Como o alho caiu na panela dos ingleses?

Nos anos 70, os ingleses começaram a viajar e muitos bistrôs foram abertos em Londres e outras cidades inglesas. Lembro-me que, naquela época, para um bistrô ser bem-sucedido, precisava cheirar a alho, vinho tinto e cigarro Gitanes. Era o que atraia as pessoas, o que dava a impressão de que você tinha ido passar férias na França (risos).

Alho combina com tudo?

Diria que com quase tudo. Até com o Dia dos Namorados! Este ano, criei um sanduíche de alho porque, afinal, ele é afrodisíaco e ajuda a melhorar a vida sexual. Tinha pão integral tostado, salmão defumado, queijo ralado e purê de alho cru e azeite. Foi incrivelmente popular. Acho que se os dois comerem, não há problema, não é (risos)?

Como surgiu a cerveja de alho?

Temos a sorte de ter uma cervejaria na fazenda, e nosso produto mais bem-sucedido é justamente a cerveja de alho. Ela é incrivelmente popular, talvez até pelo inusitado da coisa. Basicamente, o que fazemos é o seguinte: descascamos um dente de alho e colocamos dentro da garrafa para que o alho fermente junto com a cerveja.

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