Comércio de espécies em extinção pode movimentar US$ 10 milhões por ano

Em Genebra, a Secretaria da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites) insiste que o tráfico de animais e o lucro que esse crime gera são subestimados por governos. O comércio ilegal de espécies ameaçadas e recursos naturais poderia movimentar anualmente US$ 10 bilhões pelo mundo.

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2012 | 03h06

Para a promotora paulista Liliane Garcia Ferreira, que atua neste ano no Cites para a troca de conhecimento entre as instituições internacionais e o Brasil, a constatação é de que os grupos de traficantes de espécies ameaçadas são, em muitos casos, os mesmos que fazem o tráfico de drogas. "As rotas são em muitos casos a mesma."

Marcos Regis Silva, brasileiro que é um dos coordenadores dos trabalhos no Cites, também aponta para a ameaça do tráfico. "Além de retirar o patrimônio do País, ele expropria comunidades locais", disse. Silva trabalhará nas próximas semanas para ajudar os governos da Bacia Amazônica a implementar um registro eletrônico das exportações legalizadas de animais e espécies naturais, na esperança de fortalecer o combate ao tráfico.

Para as autoridades portuguesas, a constatação do número de aves vítimas do tráfico revela que o impacto na fauna de algumas florestas pode ser profundo. Para espécies raras como a arara-de-lear, essas atividades podem levar à sua extinção.

No caso dos ovos apreendidos, João Loureiro, do ICNB, explica que foram levados a zoológicos em Portugal e a maioria dos pássaros sobreviveu. O problema é que, agora, esses locais sofrem com uma superlotação de aves exóticas. / J.C.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.