Comissão de frente ilusionista agora encanta nos palcos

Ala da Unidos da Tijuca tem agenda lotada de shows em festas e convenções; convites vêm até do exterior

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

10 de março de 2010 | 00h00

BALÉ - Bailarinos profissionais integram comissão da Unidos

RIO

Apresentação de escola de samba - fora do período de carnaval - não é só mais show de bateria, acompanhada de passistas. A comissão de frente da campeã Unidos da Tijuca, que encantou o sambódromo com ilusionismo, virou a estrela da agremiação. O grupo de bailarinos responsável pelas trocas de roupa instantâneas e imperceptíveis aos olhos do público tem sido contratado para animar festas e convenções. E já foi convidado para se apresentar no exterior.

A estreia foi na segunda-feira, quando os dançarinos participaram da abertura da Olimpíada do Conhecimento, competição de educação profissional, que reuniu 4 mil jovens de 13 países no Maracanãzinho. O espetáculo custou R$ 40 mil.

Como na Sapucaí, as bailarinas trocaram de roupa escondidas por um tubo de tecido, embaixo de um enorme tecido vermelho ou sob chuva de papel picado. Nas saias, surgiu a palavra "futuro", tema do evento. "Eu tinha visto pela televisão, mas não tinha ideia de que seria tão lindo. É muito melhor ao vivo", disse a maranhense Juliana Fialho, de 17 anos, que vai competir na olimpíada na prova de instalação e manutenção de redes de computação.

Os coreógrafos Rodrigo Negri e Priscila Motta dizem que fazem adaptações para o espetáculo caber no espaço do cliente. No Hotel Intercontinental, onde o casal recebeu prêmio pela melhor comissão de frente, não houve espaço para o tecido vermelho. "Estávamos tão perto do público que precisamos dobrar a quantidade de papel picado", conta Negri.

Nada que abale o impacto do número ilusionista. "As pessoas gritam, aplaudem, fazem questão de filmar e fotografar. Ainda se surpreendem com o truque, tentam desvendar o segredo, se empolgam como se fosse a primeira vez", conta Negri. Foi assim no Maracanãzinho: o público da arquibancada saudou a apresentação com palmas e agitando bastões coloridos e iluminados.

Negri e Priscila são bailarinos solistas do Teatro Municipal. Os outros integrantes atuam em musicais, são membros da Companhia de Ballet de Niterói ou do Municipal. Nenhum deles esperava tanta exposição. "A gente achava que era só o carnaval, que a poeira ia baixar e iam esquecer. Mas são tantos convites, que acho que vai rolar o ano inteiro", diz o coreógrafo.

Fernando Horta, presidente da Unidos da Tijuca, explica que o sucesso da comissão permitiu à escola oferecer um "novo produto" ao mercado de entretenimento. "A escola costuma fazer show o ano inteiro, com bateria, mestre-sala e porta-bandeira. Mas essa comissão é daquelas inovações que só aparecem a cada 50 anos no carnaval." De acordo com ele, shows da escola custam a partir de R$ 7 mil. Com a participação da comissão, esse valor sobe para, no mínimo, R$ 30 mil. A agenda começa a encher, com apresentação em João Pessoa e negociação para um show em Paris.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.