Comissão indica pílula para prevenir aids

Nos EUA, especialistas sugerem que FDA libere uso de antirretroviral para pessoas saudáveis para reduzir as infecções pelo vírus HIV

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE, NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2012 | 03h02

Uma comissão ligada ao FDA, agência que regula a venda de medicamentos nos EUA, recomendou a liberação de uma droga para prevenir a infecção pelo HIV. Dessa forma, pessoas não contaminadas poderiam manter relações com portadores do HIV com um risco menor de contrair o vírus.

De acordo com testes realizados internacionalmente, pessoas que tomam a medicação Truvada diariamente têm uma possibilidade 90% menor de contágio pelo HIV. Esse remédio já é usado no tratamento de pessoas portadoras do vírus.

Há relatos de que médicos nos EUA e em outros países já receitam o remédio para parceiros de portadores, diz o jornal The Washington Post. Contudo, se a droga for aprovada pelo FDA, a empresa fabricante - a Gilead Sciences - poderá fazer propaganda do uso preventivo.

A recomendação da comissão do FDA prevê que o Truvada seja utilizado por pessoas com um parceiro que tenha o vírus. Também há a sugestão para que homossexuais ou bissexuais a utilizem, assim como quem suspeitar do risco depois de manter relações heterossexuais.

A decisão sobre a aprovação do Truvada nos Estados Unidos para a prevenção de infecção pelo HIV deve ser tomada nos próximos meses. O FDA costuma seguir a recomendação da comissão. Médicos alertavam, porém, que o Truvada não pode ser considerado uma vacina contra a aids e deve ser tomado apenas depois de aprovado pelo FDA e com prescrição médica.

Votos. Participaram da votação 22 especialistas independentes. Na discussão sobre o uso do medicamento por homossexuais que não são portadores do HIV, 19 especialistas votaram a favor e 3 foram contrários ao uso da droga, resultado semelhante ao da discussão sobre o uso do remédio por casais em que um dos parceiros não possui o vírus - com uma diferença: um dos votos contrários tornou-se uma abstenção. Contudo, a unanimidade diminuiu quando se discutiu o uso do Truvada pelos demais grupos: houve 8 votos contrários e 2 abstenções.

Para o presidente da ONG Pela Vidda e especialista em saúde pública, Mário Scheffer, o parecer da comissão comprova o impacto social dos antirretrovirais.

De fato, quando uma pessoa que vive com o HIV recorre à terapia e diminui sua carga viral, a chance de transmissão torna-se muito menor. O uso da terapia por pessoas que foram expostas ao vírus para evitar o contágio também já foi incorporado aos serviços de saúde pública de vários países, até mesmo do Brasil.

"Agora, será a vez da terapia anterior à exposição ao vírus", afirma Scheffer, sublinhando, no entanto, que ela não deverá ser uma alternativa universal, mas apenas para grupos restritos que estão muito expostos ao vírus e são refratários a outras formas de prevenção. "São medicamentos complexos e com efeitos adversos. Não devemos banalizar", aponta. / COLABOROU ALEXANDRE GONÇALVES, COM AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.