Comissão irá buscar desaparecidos de tragédia no RJ

Oficialmente, 905 pessoas morreram em decorrências do temporal que atingiu Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis, em janeiro de 2011

Antonio Pita - Agência Estado,

06 de agosto de 2012 | 19h21

RIO DE JANEIRO - O vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, que acompanhou os resgates nas cidades de Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis, admitiu nesta segunda-feira, 6, que o número de vítimas pode ser maior que o declarado oficialmente. "Reconheço que em Teresópolis podem haver mais desaparecidos soterrados. Foram montanhas de pedras que desmoronaram, era impossível retirar tudo", afirmou. Pezão, entretanto, negou que houve negligência nas buscas. "Ficamos lá por quase 60 dias, naquele estado não havia como retirar mais ninguém com vida", afirmou.

De acordo com a Secretaria de Direitos Humanos, a força-tarefa terá como base os Centros de Referência em Direitos Humanos (CRDH) em Nova Iguaçu e Petrópolis, no Rio, e também de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Os integrantes da comissão irão visitar famílias desabrigadas pelos desmoronamentos para mapear as denúncias. O governo do Rio e as prefeituras municipais também vão acompanhar os trabalhos, por meio das secretarias de assistência social.

A força-tarefa vai cruzar as informações das listas de desaparecidos e mortos com os cadastros de programas sociais, cartórios, órgãos do governo para encontrar falhas na notificação dos óbitos. Além disso, os técnicos da Secretaria vão atender aos familiares para tentar diminuir a burocracia relacionada à liberação de atestados de óbitos e exames de DNA, que ainda não foram concluídos.

Os moradores também reclamam da demora na construção das casas e apartamentos para as vítimas desalojadas. "Na última sexta-feira conseguimos a emissão de posse do terreno em Petrópolis para a construção dos apartamentos. Devem ser entregues até 2014. Em Friburgo, já no final do ano iniciamos as entregas", afirmou Pezão. "É uma luta, não temos recursos para tudo". O governo federal também estuda lançar um programa nacional para o enfrentamento de catástrofes. O PAC da Prevenção, como vem sendo chamado, irá definir atribuições dos diferentes órgãos governamentais e investimentos em ações preventivas.

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