Comitê aceita delegados democratas da Flórida e de Michigan

Representantes terão direito a meio voto cada na escolha do candidato à Casa Branca.

Da BBC Brasil, BBC

31 de maio de 2008 | 22h15

O Comitê de Regras do Partido Democrata decidiu neste sábado permitir que os delegados partidários dos Estados da Flórida e de Michigan possam votar, com direito a meio voto cada um, na Convenção Nacional que decidirá em agosto qual será o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos.No processo de prévias usado pelo partido para distribuir delegados e definir o pré-candidato mais forte, os dois Estados decidiram adiantar suas votações, em desacordo com as regras partidárias, e foram punidos com a retirada de todos os seus delegados da Convenção.A pré-candidata Hillary Clinton - que venceu nos dois Estados, mas está atrás do senador Barack Obama em número de delegados - esperava que o comitê autorizasse os representantes da Flórida e de Michigan a votarem em agosto. No entanto, segundo analistas, já que cada delegado ficou direito a meio voto, Clinton apenas conseguiu fortalecer sua posição, mas não virar o jogo sobre Obama.ApelaçãoDe acordo com o correspondente da BBC em Washington James Coomarasamy, a decisão representa uma derrota para a campanha de Hillary, que vinha fazendo campanha para que todos os delegados tivessem direito a voto integral.Coomarasamy acredita que, a menos que apelações mudem a decisão, a indicação de Obama para ser candidato a Presidente parece mais certa do que nunca.Na abertura da reunião do Comitê, o presidente do Partido Democrata, Howard Dean, fez um apelo pela unidade do partido, estremecida pela ferrenha disputa entre Obama e Hillary.Dean disse que queria que a decisão do comitê fosse parte de "um processo de cura que nos unifique, que nos permita raciocinar juntos, que resulte em uma negociação no grupo, não em confrontação, de forma que, quando deixemos esta sala, estejamos todos vestindo os mesmos casacos azuis, para que possamos ir atrás dos republicanos com casacos vermelhos em novembro". "Isto não é a respeito de Barack Obama ou de Hillary Clinton, isto tem a ver com nosso país. Isto tem a ver com restaurar a grandeza dos Estados Unidos, restaurar nossa autoridade moral e fechar as feridas domésticas dos Estados Unidos."A pré-candidata ainda espera reduzir a margem de vantagem de Obama nas três últimas prévias, que estão marcadas para os próximos dias.Neste domingo, Porto Rico realiza sua primária. Na terça-feira, é a vez de Montana e Dakota do Sul irem às urnas. Hillary Clinton também continua buscando o apoio dos chamados "superdelegados" - personalidades do partido que tem direito a voto na convenção e que podem apoiar quem quiserem, independentemente do resultado das prévias.Trinity ChurchTambém neste sábado, Barack Obama anunciou que está abandonando a Trinity United Church of Christ, a igreja do polêmico pastor Jeremiah Wright que Obama freqüentou em Chicago por cerca de 20 anos.O pastor ficou famoso por ser uma das referências espirituais de Obama. No entanto, em março, começaram a circular na internet e na televisão discursos antigos em que Wright diz que os atentados de 11 de setembro são conseqüência da política externa americana. Em 2003, Wright também afirmou que os americanos negros deveriam condenar os Estados Unidos devido às constantes injustiças raciais do país.Obama disse que sua decisão de abandonar a igreja foi tomada "com alguma tristeza" e após consultas com o reverendo Otis Moss, que deve substituir Wright como o pastor da igreja em Junho."Nós não queremos ter que responder por tudo que é dito na Igreja", disse o pré-candidato. "Por outro lado, nós também não queremos que a igreja esteja sujeita a ao escrutínio associado a uma campanha presidencial."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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