Comitiva paraguaia pede apoio do Brasil a novo governo

Um grupo de três parlamentares paraguaios, acompanhado de um representante dos produtores rurais do país, cumpriram uma maratona de encontros em busca de apoio ao novo governo do Paraguai, instalado após o impeachment do então presidente Fernando Lugo, na sexta-feira.

REUTERS

26 de junho de 2012 | 18h40

Sob o argumento de que a decisão do Parlamento paraguaio foi um ato "constitucional", "legítimo" e "soberano", o grupo se reuniu com bancadas no Congresso brasileiro, com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), além de tentar, sem sucesso, um encontro com a presidente Dilma Rousseff.

"Foi dito que houve um golpe no Paraguai. Não há golpe no Paraguai", disse a jornalistas o senador paraguaio Miguel Saguier, presidente da comissão de assuntos constitucionais do Senado.

"A vida transcorre normalmente no Paraguai. As instituições continuam funcionando", afirmou, dizendo que os que criticam o impeachment tentam "pisotear a decisão soberana do Parlamento paraguaio".

O empresário rural José Marcos Sarabia, brasileiro que vive no Paraguai há 20 anos e acompanhou o grupo em nome dos produtores brasileiros instalados no país vizinho, confirmou que houve tentativas frustradas do grupo de encontrar com a presidente Dilma.

"Nós não estamos conseguindo chegar nela (na presidente)", disse a jornalistas, completando que existe a previsão de uma reunião no Planalto ainda nesta semana. "Aparentemente (a reunião) seria na quinta. Mas não tenho confirmado", afirmou.

Sarabia disse ainda estar preocupado, como produtor, com o clima de indefinição sobre o posicionamento internacional e eventuais sanções econômicas ao Paraguai.

"Nós queremos que se normalize a situação para nós seguirmos produzindo", disse acrescentando que a economia paraguaia é muito dependente da agricultura. "Hoje o principal problema do Paraguai é a falta de apoio internacional, principalmente do Brasil."

De acordo com Sarabia os mais de 300 mil agricultores brasileiros que vivem no Paraguai -os chamados brasiguaios- são responsáveis por grande parte da produção de grãos do país.

Também acompanharam a comitiva representantes da Associação Rural do Paraguai, da União dos Grêmios de Produção do Paraguai e um líder religioso.

Na última sexta-feira, o Congresso do Paraguai considerou Lugo culpado por mau desempenho em um julgamento político que durou menos de dois dias. Em seu lugar assumiu o então vice-presidente Federico Franco, que deve ficar no poder até o fim do mandato em agosto de 2013.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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