Como candidato democrata, Obama ataca o Irã e defende Israel

Senador promete impedir que Teerã tenha armas nucleares e diz que Jerusalém é a capital indivisível israelense

Agências internacionais,

04 de junho de 2008 | 12h15

Falando pela primeira vez após declarar vitória nas prévias democratas, o senador Barack Obama afirmou nesta quarta-feira, 4, que trabalhará para "eliminar" a ameaça que o Irã representa para o Oriente Médio e para a segurança internacional. O candidato declarou ainda considerar que Jerusalém deve permanecer como a capital "indivisível" de Israel. "Não há ameaça maior para Israel e para a paz e estabilidade da região do que o Irã", afirmou o senador na conferência do Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel, um lobby pró-Israel.  Veja também:Obama se declara vencedorPróximo passo é definir papel de Hillary na disputaCasal Clinton não perde influência Bush parabeniza Obama por indicação Cronologia da disputa entre Hillary e ObamaConheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA Confira a disputa em cada Estado   Obama prometeu impedir que a República Islâmica obtenha uma arma nuclear. "O perigo que vem do Irã é grave, é real, e meu objetivo é eliminar essa ameaça", disse Obama, ao discursar. "Farei tudo que puder para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear - tudo", disse à platéia, que o aplaudiu de pé. A rival derrotada nas prévias, Hillary Clinton, afirmou que Obama será um "bom amigo" de Israel. "Sei que o senador Obama entende o que está em jogo", indicou a senadora diante do grupo. O senador ainda tentou se distanciar dos rumores de que seria islâmico e que não apóia o Estado judeu, chamando-se de "amigo verdadeiro de Israel". "Qualquer acordo com o povo palestino deve preservar a identidade israelense como um Estado judeu, com segurança e fronteiras reconhecidas e armadas. Jerusalém continuará como a capital de Israel, e deve permanecer indivisível", disse Obama na conferência pró-Israel. Os palestinos exigem que Jerusalém seja a capital de seu Estado.  "Eu nunca farei concessões no que diz respeito à segurança israelense. Não quando ainda há vozes que negam o Holocausto, não enquanto terroristas seguem comprometidos com a destruição de Israel, não enquanto até livros didáticos no Oriente Médio negam que Israel sequer exista", disse.  Segundo a BBC, retribuindo um elogio feito por Obama, que a chamou de ''amiga de Israel'', Hillary disse que sabe "que o senador Obama será um bom amigo de Israel". "Sei que o senador compartilha da minha visão de que o próximo presidente tem de dizer ao mundo que a posição americana é imutável. Os Estados Unidos estão ao lado de Israel agora e para sempre", disse Hillary.  O  Irã não reconhece Israel, e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad várias vezes já pediu a destruição do Estado judeu. A troca de insultos se intensificou em 2005, quando Ahmadinejad disse que Israel deveria ser "varrido do mapa do Oriente Médio". O iraniano já chegou a se referir ao Holocausto - o massacre de milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial pelos nazistas - como um "mito". Israel considera o Irã uma ameaça por causa de seu programa nuclear e de seu arsenal de mísseis. Israel e os Estados Unidos acusam Teerã de desenvolver em segredo um programa nuclear bélico. O Irã nega e assegura que suas usinas atômicas têm fins estritamente pacíficos de geração de energia elétrica. Obama também defendeu que o Hamas, organização palestina que controla a Faixa de Gaza, deve ser "isolado, a menos e até que reconheça o direito de Israel existir e honre acordos passados." "Foi por isso que eu me opus às eleições palestinas de 2006 com o Hamas na cédula eleitoral. Israel e a Autoridade Palestina nos advertiram quanto a isso, mas este governo (do presidente americano George W. Bush) levou isso adiante." Vitória histórica Obama deu um grande passo para tornar-se o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos ao derrotar a ex-primeira-dama Hillary Clinton na disputa pela indicação do Partido Democrata em meio a promessas de esperança e mudança para os americanos cansados da turbulência econômica e de anos de guerra. Com a vitória, Obama enfrentará nas eleições presidenciais de novembro o candidato republicano John McCain. A disputa será mistura de choque de gerações com debate sobre o Iraque. Obama, de 46 anos, é contra a guerra; McCain, de 71, foi prisioneiro durante a Guerra do Vietnã e é um partidário das atuais missões militares americanas. Ao assegurar o número de delegados e superdelagados necessário para garantir a indicação, Obama pôs fim a uma das campanhas mais acirradas de que se tem lembrança nos EUA. A vitória de Obama nas primárias democratas também representa um marco para um país onde, há apenas algumas décadas, a discriminação racial era generalizada e os negros precisavam ir à luta para conseguir o direito de votar. Matéria ampliada às 14h55.

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