Como e por que Atividade Paranormal virou o terror do ano

Longa de Oren Peli mistura A Bruxa de Blair com Poltergeist e mostra que o Twitter pode ser o novo aliado dos diretores

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

05 Dezembro 2009 | 00h00

Para fazer carreira em Hollywood, atualmente, nada como uma passagem pela seção de achados e perdidos, afirma a revista Empire. A Bruxa de Blair, Cloverfield, todos tratam de vídeos achados que desvendam histórias de terror. Atividade Paranormal reabre a vertente. No dossiê de imprensa, o diretor Oren Peli conta que teve a ideia ao se mudar com a namorada para uma casa nova, na qual foram surpreendidos por estranhos ruídos, à noite. Ficcionalizando sua experiência real, Peli - a ascendência é israelense - fez o filme que estreia hoje.

Assista ao trailer de ''Atividade Paranormal''

Do ponto de vista da indústria do entretenimento, o que fez de Atividade Paranormal um fenômeno foi a relação custo/benefício. O filme mais assustador do ano foi feito por míseros US$ 11 mil - que aumentaram para US$ 15 mil, quando Steven Spielberg deu uma sugestão que levou à refilmagem do desfecho. Lançado nos cinemas dos EUA, Atividade faturou fantásticos US$ 109 milhões. O Twitter foi um aliado importante - durante uma semana, o filme foi um dos assuntos mais falados da semana, estourando, a seguir, na bilheteria. Talvez seja interessante acrescentar que Peli, antes de virar diretor, era engenheiro de software, tendo feito seu filme já pensando em alavancá-lo na rede.

Tudo isso é interessante, mas, para entender por que Atividade Paranormal se transformou num fenômeno, o melhor é conferir o que se passa na tela. O filme não conta propriamente uma história - desenvolve uma situação, que vai sendo repetida. Katie e Micah mudam-se para a casa, são surpreendidos pelos tais sons estranhos e ele compra uma câmera para tentar descobrir o que se passa à noite, enquanto dormem. Os ruídos continuam, agora acrescidos de evidências inexplicáveis. Um especialista, chamado para orientar a dupla, não ajuda em nada. Katie e Micah não dormem, ficam irritadiços.

A rigor, não acontece nada - salvo na cena final - e o desafio de Oren Peli era manter o espectador ligado numa tragédia anunciada, mas que demora e, lá pelas tantas, você duvida de que vá acontecer. Como cinema, Atividade Paranormal renova o tema da casa assombrada, mistura A Bruxa de Blair com Poltergeist. O verdadeiro fenômeno está no pacto que Peli propõe - seu filme só funciona se o espectador projetar seus medos na tela, preenchendo os vazios de uma narrativa que se recusa a ser gosmenta para assustar.

Atividade Paranormal (Paranormal Activity, EUA/ 2009, 90 min.) - Terror. Direção de Oren Peli. 14 anos. Cotação: Bom

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