Como funcionam as negociações

A Rio+20 é uma conferência convocada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e, portanto, todos os seus 193 Estados-membros participam das negociações. As decisões têm de ser tomadas por unanimidade, o que torna a diplomacia extremamente complexa e faz com que as negociações se arrastem com frequência até os últimos minutos do evento, avançando madrugada adentro na tentativa de conciliar interesses muitas vezes antagônicos, dos países mais pobres e mais ricos.

O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2012 | 06h40

A proposta de realização da Rio+20 foi feita em 2007 pelo então presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, mas só foi convocada pela ONU em dezembro de 2009. Desde então, várias reuniões preparatórias foram feita para produzir um documento preliminar, que servirá de base para as negociações no Rio.

A primeira versão deste documento, chamada Rascunho Zero, foi apresentada em janeiro deste ano, com 19 páginas. Após algumas rodadas de negociação, uma segunda versão, chamada Rascunho Um, foi apresentada em abril, com 278 páginas.

O aumento deve-se às centenas de modificações propostas pelos diferentes países, que são inseridas no texto entre colchetes - sinalizando que ainda não há consenso sobre como deve ser a redação daquele trecho. Há colchetes que contêm apenas uma vírgula, outros que contêm frases ou parágrafos inteiros, com a referência do país que propôs a modificação. No Rascunho Um, até o título do documento está entre colchetes.

O processo diplomático consiste em negociar cada um desses colchetes, aceitando-os, modificando-os ou eliminando-os, até se chegar a um documento final, "limpo", que possa ser aprovado (ou não) na sessão plenária que encerra a conferência.

Os países negociam às vezes individualmente, às vezes em blocos, como o G-77, que representa 132 nações em desenvolvimento, entre elas o Brasil.

Os três primeiros dias da Rio+20 (de 13 a 15) serão dedicados à última rodada oficial de negociações por diplomatas antes da reunião de alta cúpula (20 a 22), com os chefes de Estado. Entre esses dois momentos (16 a 19), ocorrerão vários eventos "informais", com participação da sociedade civil, que podem influenciar os rumos da diplomacia, mas não fazem parte oficialmente das negociações. / H.E.

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