'Como provar sua honradez se ela foi jogada no chão?', diz Demóstenes

Em seu último discurso antes de o plenário decidir pela cassação do seu mandato no Senado, Demóstenes Torres pediu aos colegas nesta quarta-feira que não o sacrificassem para dar o "exemplo" e alegou ter sido perseguido como um "cão sarnento".

Reuters

11 de julho de 2012 | 14h20

O plenário decidiu, em votação secreta por 56 votos a favor 19 contra, que o parlamentar goiano faltou com o decoro após denúncias de envolvimento com Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro acusado de comandar uma rede de jogos ilegais. Cinco parlamentares se abstiveram.

"Por que a minha cabeça tem que rolar? Eu provei várias vezes que sou inocente", afirmou Demóstenes da tribuna. "Eu não posso ser julgado para dar exemplo", disse.

"Eu sou, na verdade, um bode expiatório. Querem me pegar porque vai ficar mal para a imagem do Senado", afirmou.

O senador afirmou ter sido perseguido "como um cão sarnento" depois que as primeiras denúncias surgiram e disse ser impossível se defender de "adjetivações", ataques sem prova contra sua reputação.

"Como eu vou me defender disso? É como acusar uma mulher de vagabunda", comparou. "Como provar sua honradez se ela foi jogada ao chão?"

O parlamentar voltou a pedir perdão aos seus pares e solicitou que o julgamento sobre as denúncias ocorresse na esfera judicial.

"Me deem a oportunidade de provar minha inocência, não me deixem disputar a eleição em 2013 para Senado", disse Demóstenes ao finalizar o discurso.

Desde a semana passada, o senador tem subido à tribuna para se defender. Além de pedir desculpa aos senadores, também questionou a validade dos grampos telefônicos que apontariam seu envolvimento com Cachoeira.

O advogado de defesa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), pediu aos senadores que considerassem, durante a votação, os eleitores que levaram Demóstenes ao Senado.

"Quando se cassa um senador da República, não se cassa apenas um mandato. Está se cassando mais de 2 milhões de votos", afirmou o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro.

Eleito senador pelo DEM em 2002, o senador deixou o partido neste ano após a legenda decidir abrir processo de expulsão contra ele por conta das denúncias. Na época, Demóstenes disse ter sido pré-julgado pelo partido.

Com a decisão, Demóstenes ficará oito anos inelegível, contados a partir de 2019, quando se encerraria o atual mandato. Dessa forma o senador só poderá se candidatar em 2027.

Esta é a segunda vez na história da Casa que um parlamentar tem seu mandato cassado. Até hoje, somente o ex-senador Luiz Estevão (DF) perdeu o mandato no plenário, em 2000, acusado de envolvimento no desvio de verbas destinadas à construção da sede do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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