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Como ter jovens saudáveis

Novas pesquisas ajudam a entender melhor algumas das causas que podem estar contribuindo para um aumento do número de casos de anorexia, bulimia, depressão e abuso de álcool entre os mais jovens. Dados do Serviço Nacional da Saúde (NHS, na sigla em inglês) da Inglaterra, publicados no jornal Daily Mail, mostram que dobraram as internações por anorexia e bulimia entre garotas de 13 a 19 anos no Reino Unido de 2011 a 2014. 

Jairo Bouer, O Estado de S. Paulo

07 Junho 2015 | 03h00

Os especialistas acreditam que esse aumento tem relação direta com o uso das redes sociais e o compartilhamento de fotos em que as garotas aparecem cada vez mais magras. Essa pressão por um corpo inatingível pode estar levando muitas a transtornos alimentares. Sites especializados também têm sido usados pelas garotas para buscar motivações para emagrecer e para trocar dicas de como perder peso, usar laxantes, vomitar, etc. 

Quanto mais nova a garota, com menos experiência e mais influenciável, maior a vulnerabilidade às pressões das redes sociais pela busca de um corpo supostamente mais perfeito. Comer cada vez menos (anorexia) e ingerir grande quantidade de calorias para depois eliminá-las, vomitando ou usando laxantes (bulimia), são transtornos alimentares que podem se tornar extremamente graves, comprometendo a saúde e a vida das garotas. 

Muitas meninas podem estar ficando obcecadas pela busca de um corpo magro, depois que passam a comparar sua imagem com as de outras que nem sempre estão saudáveis e com fotos que, muitas vezes, não são reais e podem ter passado por uma série de tratamentos fotográficos. Seria fundamental trabalhar com os mais novos uma maior flexibilidade na questão da imagem corporal e na percepção da influência que as redes sociais podem ter em sua vida. 

Bullying e depressão. Outro trabalho, publicado no British Medical Journal, também divulgado pelo Daily Mail, mostra que jovens que sofreram bullying aos 13 anos têm duas vezes mais chance de enfrentar depressão quando atingem a vida adulta do que aqueles que não foram expostos a essa forma de violência física ou psicológica. Pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, analisaram dados de quase 3,9 mil adolescentes aos 13 e, depois, aos 18 - 15% daqueles que foram vítimas frequentes de bullying por parte dos seus pares aos 13 apresentaram sintomas de depressão. Entre os que não foram expostos a essa forma de abuso, apenas 5,5% tinham sintomas depressivos mais tarde. A depressão durou até dois anos nos casos mais graves, e garotos e garotas sofreram o mesmo padrão de influência.

Apesar de o estudo ser observacional e não ter sido desenhado para estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre bullying e depressão, os pesquisadores estimam que até um em cada três casos de depressão na vida adulta pode ter relação com bullying na adolescência. Para eles, lidar com essa questão em casa e nas escolas pode impactar diretamente o futuro emocional das pessoas.

Controle e autonomia. Por falar em influência em casa, um terceiro trabalho, da Universidade Brigham Young, dos Estados Unidos, mostra que pais que são muito controladores e não dão autonomia para os filhos tomarem decisões podem estar contribuindo para que os jovens enfrentem problemas de autoestima e abuso de álcool na vida adulta.

O efeito nocivo do controle excessivo não é compensado nem pelo fato de os pais serem carinhosos com seus filhos. Os especialistas sugerem que os pais estejam presentes, envolvidos ativamente na educação dos filhos, trabalhando limites e dificuldades, mas evitem interferir nas tomadas de decisão e autonomia. Dessa forma, eles podem contribuir para uma sociedade com adultos emocionalmente mais saudáveis.

É PSIQUIATRA

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