Compra da Almadén entusiasma enólogo

Com vinhedos mais antigos, Miolo antevê um ‘vieilles vignes’ brasileiro

Luiz Horta,

08 Outubro 2009 | 11h29

A aquisição da Almadén pela Miolo repercutiu nas discussões sobre economia: afinal, é um negócio de milhões e envolve uma das maiores vinícolas nacionais e um gigante internacional, a Pernod Ricard, antiga proprietária da marca. Mas no que diz respeito aos vinhos, a conversa é com Adriano Miolo, enólogo chefe da empresa e novo responsável pelo manejo das cobiçadas uvas da Almadén. "São 535 hectares de vinhedos plantados de maneira exemplar, tudo em espaldeira, sistema mais adequado à região, saudáveis, bem tratados." Que variedades estão plantadas lá? "Principalmente Cabernet e Merlot nas tintas e Chardonnay, Sauvignon Blanc e Riesling Itálico e Renano nas brancas." Riesling Renano? "Sim, de ótima qualidade." O repórter, entusiasta dos brancos germânicos, perguntou se isso poderia resultar num futuro Riesling monovarietal. "Sim, é possível. Estou ainda desembrulhando o presente, por assim dizer. O que entusiasma mais são os vinhedos velhos, será possível fazer um ‘vieilles vignes’, pois há excelentes videiras com 33 anos, talvez um dos vinhedos mais antigos no País." Vai haver vinho top? "Por enquanto manteremos a linha standard. No futuro... Temos muito para criar lá. Ainda não avisei Michel Rolland, vou telefonar para ele hoje, já sei que vai dizer ‘mais trabalho...’ A região é excelente, na campanha, o clima ajuda, e vamos ter como enólogo supervisor o português Miguel Almeida, que faz conosco o Quinta do Seival." E madeira? "Ainda não pensamos nisso, a cantina já está muito bem montada, só aço inoxidável. Por enquanto as mudanças serão no sistema de recepção das uvas, que queremos todo por gravidade. E no estilo dos vinhos buscaremos mais fruta, vinhos com personalidade mais jovem, mais próximos dos argentinos e californianos. Mas é tanto vinhedo bom...", suspira, contente.

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Paladar vinho Almad&eacute n Adriano Miolo

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