Luciano Coca/AE
Luciano Coca/AE

Conceição dos Ouros quer certificar polvilho

Ingrediente básico de pão de queijo e biscoito, produto do município tem qualidade e tradição no mercado

João Carlos de Faria, Especial para O Estado

12 Agosto 2009 | 03h24

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O município de Conceição dos Ouros, no sul de Minas, a 204 quilômetros de São Paulo (SP), celebrou com festa, na semana passada, a safra da mandioca e o pico de produção do seu mais tradicional produto: o polvilho azedo, ingrediente imprescindível no pão de queijo e no biscoito de polvilho.

Apesar da projeção de queda de 15 a 20% na produção, os produtores estão otimistas com a chance de obter certificação de origem do polvilho, emitida pelo Ministério da Agricultura. A certificação é um reconhecimento à tradição e à qualidade de um determinado produto, como marca de uma região ou cidade, o que agrega valor. O polvilho de Conceição dos Ouros é tão famoso no mercado que a cidade é conhecida como a Capital Nacional do Polvilho. O produto é consumido em São Paulo, Rio e Minas. Uma parte é utilizada na própria cidade, por fábricas de pão de queijo e biscoito.

O presidente da Associação dos Produtores Rurais e da Agroindústria local, Ocimar Pereira de Carvalho - membro de uma família que há 45 anos fabrica o produto - afirma que o processo de certificação está adiantado. A associação tem 100 sócios, entre os quais 20 fábricas de polvilho. "Em três anos nós já poderemos contar com isso. Além da tradição, temos diferenciais como clima propício e variedades de mandioca adequadas."

 

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A Polvilho Orivaldo, empresa de Carvalho, é uma das mais modernas da cidade. Foi pioneira na adoção de tecnologias, inclusive na destinação da manipueira - água poluente e tóxica, que resulta do processamento da mandioca.

A água, que antes ia para o rio, causando a morte de peixes, hoje é bombeada para terraços, em curvas de nível e utilizada para recarga do lençol freático e na fertiirrigação. A solução hoje é adotada pelas demais fábricas. "Não há estudos que quantifiquem o efeito da manipueira sobre as lavouras ou pastagens, mas está provado que é um bom adubo", diz o agrônomo Jerônimo José de Carvalho, da Emater local. Segundo ele, além de ser rica em potássio e fósforo, a manipueira funciona como herbicida natural e também controle biológico de pragas da lavoura.

 

OCIMAR CARVALHO - Processo para certificação está em andamento

SUBPRODUTOS

Também têm sido melhor aproveitados subprodutos como a casca - utilizada para adubação e alimentação animal - e a raspa resultante da moagem da mandioca, destinada à alimentação bovina. Comandada com ajuda de seu irmão, João Bosco Carvalho, a empresa destina praticamente 100% de sua produção anual de 15 toneladas para o Rio. Ali o cliente mais famoso é o Biscoito Globo, considerado um produto que tem a "cara do Rio", sendo apreciado principalmente nas praias. Cerca de mil sacas de polvilho são enviadas à fábrica a cada mês.

O preço da mandioca, porém, caiu muito. "No ano passado a tonelada chegou a R$ 250, mas caiu para R$ 180, o que fez diminuir a área plantada de dois anos para cá", diz. O preço do saco de 25 quilos de polvilho chegou a R$ 60, mas está sendo vendido por R$ 40. A produção da indústria caiu de 35 mil sacas de 25 quilos no ano passado para 15 mil previstas para este ano.

Segundo a Emater no município, neste ano serão colhidas 36 mil toneladas de mandioca na região e fabricadas 9 toneladas de polvilho. Em 2008 foram 52 mil toneladas de mandioca e 13 toneladas de polvilho. Nem toda a mandioca consumida pelas fábricas ourenses, no entanto, é plantada no município, apenas 25% do total; o restante vem de municípios vizinhos como Cachoeira de Minas, Consolação e Paraisópolis.

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