Conclave foi criado para acelerar escolha do papa

Cardeais foram trancados pela 1ª vez em 1271; 'Estado' cobre as eleições desde 1878

O Estado de S.Paulo

12 de março de 2013 | 02h05

A tradição de trancar os cardeais numa sala para escolher o novo papa não foi criada para manter os segredos da eleição entre quatro paredes. O conclave foi uma forma de constranger os cardeais a apressar o voto para que a Santa Sé não ficasse vaga por longos períodos. Foi o que aconteceu depois da morte de Clemente IV, em novembro de 1268. O cargo ficou sem titular por 2 anos, 9 meses e 2 dias. O expediente foi usado pela primeira vez em 1216, durante a eleição de Onorio III. Na ocasião, os habitantes de Perugia (Itália) trancaram os cardeais para apressar a escolha do novo líder da Igreja.

O conclave foi incorporado ao direito canônico no 1.º Concílio de Lyon, durante o papado de Gregorio X, sucessor de Clemente IV, em 1274. O conclave que o elegeu em 1271 fora uma novela. Depois de 17 meses de impasse, por sugestão do futuro São Boaventura, os cidadãos de Viterbo (Itália) trancaram os cardeais. Mas o isolamento não surtiu o efeito desejado, e Ranieri Gatti, governador da cidade, adotou medidas extremas. Retirou o teto do salão onde os cardeais se encontravam e reduziu os mantimentos a pão e água. Só assim Gregorio X foi eleito. O curioso é que foi necessário um religioso de fora da Cúria para estabelecer o conclave. Gregorio X, ou Tebaldo Visconti da Piacenza, não era cardeal, era diácono da cidade de Liegi (Bélgica). Na lei original, o conclave deveria ocorrer no lugar onde o papa havia morrido, dez dias depois da morte ou no dia seguinte ao sepultamento. O jornal O Estado de S. Paulo registra a sucessão papal desde 1878, quando Leão XIII foi eleito. Nesses 127 anos de cobertura estão registrados os bastidores de dez conclaves.

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