Conclave movimenta economia de Roma e do Vaticano

Hotéis da capital italiana estão lotados de fiéis que viajaram à Itália para acompanhar a escolha do novo papa

VATICANO , O Estado de S.Paulo

13 de março de 2013 | 10h19

Num país que vive sua pior crise econômica desde a 2.ª Guerra, a renúncia do papa Bento XVI e o subsequente conclave iniciado ontem no Vaticano estão servindo como um "minipacote de estímulo", movimentando o comércio de Roma.

Os hotéis da capital italiana estão lotados em todo o entorno do Vaticano, por 5,6 mil jornalistas estrangeiros e milhares de peregrinos. Os preços dos aluguéis de casas aumentaram em 20% e os terraços usados pelas câmeras de todo o mundo para ter uma vista privilegiada da chaminé da Capela Sistina chegam a custar 2 mil por dia.

O número de reservas em hotéis aumentou 30% desde que se anunciou a data exata do conclave.

Se os cardeais italianos esperam conseguir, finalmente, um papa italiano, depois de 30 anos fora do poder, os comerciantes e os donos de hotéis torcem para que o pontífice seja estrangeiro.

"Assim teremos muitos peregrinos de fora, com dinheiro para gastar", declarou Anna, gerente de um albergue na Via Borgo Pio, a poucos passos da Praça São Pedro. A Itália vive seu quarto ano consecutivo de recessão e o desemprego é recorde no país.

O Vaticano também está lucrando. Selos especiais e lembranças comemorativas foram fabricadas e fazem sucesso entre os compradores das lojas da região, que por anos sofreram com as baixas vendas de artigos com o rosto de Bento XVI. Mais de 150 mil unidades dos selos marcando a Sede Vacante tinham sido vendidos até ontem.

Segundo os dados oficiais, as vendas de lembranças do Vaticano em fevereiro dobraram em relação a janeiro. Bento XVI renunciou em 11 de fevereiro.

Quem também tem lucrado são hospedarias, seminários e hotéis mantidos pela Igreja ou por ordens religiosas em Roma. Por décadas, o Vaticano controlou centenas de imóveis pela cidade. Mas a crise e a queda no número de padres e freiras provocou a venda de vários desses prédios. Os edifícios mantidos pela Igreja, em virtude de sua importância histórica, têm vivido às moscas. O desembarque em Roma de centenas de religiosos para acompanhar os mais de 115 cardeais, no entanto, fez com que a busca por um quarto nesses locais se transformasse em uma disputa acirrada.

Alguns deles, como o Instituto Nostra Signora di Lourdes, cobra 70 pela diária num dos bairros mais elegantes de Roma, um preço bem inferior aos de hotéis tradicionais.

Outros ainda foram transformados em "case di accoglienza" para peregrinos, com quartos austeros e preços módicos. Restaurantes comandados pela Igreja e movimentos ligados ao Vaticano também estão lucrando, como o Eau Vive, de uma das ordens religiosas fundadas em 1950, que nesta semana esteve lotado todos os dias.

Em 2013, pela primeira vez em décadas, o Vaticano sofrerá cobranças de impostos por parte do governo da Itália em razão de seus estabelecimentos comerciais que, anteriormente, eram isentos de taxas. /J.C.

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