Stoyan Nenov/Reuters
Stoyan Nenov/Reuters

Condenação de Anders Breivik gera alívio na Noruega

Autor de ataques que mataram 77 sorriu durante veredicto, que lhe reservou pelo menos 21 anos de prisão

BBC Brasil, BBC

24 de agosto de 2012 | 15h24

OSLO - A Noruega parece sentir-se mais aliviada nesta sexta-feira, 24, com a condenação a 21 anos de prisão do atirador Anders Behring Breivik. Extremista de direita, ele matou 77 pessoas em um atentado duplo, na sede de governo e durante um encontro político de jovens na ilha de Utoya, em julho do ano passado.

 

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A decisão, unânime, foi anunciada pela juíza Wenche Elizabeth Arntzen. As leis norueguesas permitem que o prazo de detenção seja estendido indefinidamente, no caso de os condenados serem considerados presos de alta periculosidade. Durante a leitura do veredicto, Breivik exibiu um sorriso. Segundo correspondentes em Oslo, em nenhum momento da leitura ele expressou surpresa.

O autor do massacre, considerado a pior tragédia vivida pela Noruega desde do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi considerado mentalmente saudável. Ele já havia alegado que estava são durante os ataques. A condição foi comprovada por laudos psiquiátricos.

 

Ataque

Em 22 de julho de 2011, Breivik explodiu um carro-bomba em frente à sede do governo e do escritório do primeiro-ministro Jens Stoltenberg. O atentado deixou oito mortos no centro de Oslo. Enquanto as equipes de emergência corriam para o local, Breivik seguia para a ilha de Utoya, onde ocorria um encontro da juventude do Partido Trabalhista. Ao chegar na ilha, abriu fogo e matou 69 pessoas. As vítimas eram, na maioria, jovens militantes de esquerda. Para Breivik, eram marxistas treinados para promover uma Europa multicultural.

O atirador chegou a divulgar um manifesto na internet, condenando a política de imigração dos países da Europa. O atentado chocou o país, conhecido pela tolerância e pelo baixo nível de violência. Também pôs em alerta a Europa, que tem assistido o surgimento de diversos grupos extremistas no continente, cujo alvo mais rotineiro são os imigrantes, em especial os muçulmanos.

 

Alívio

Para familiares das vítimas e sobreviventes dos ataques, a decisão gerou alívio. "Estou feliz com a condenação pois, o tempo todo, achava que Breivik é um homem que sabe o que fez", disse Unni Espeland Marcussen, mãe de uma das vítimas mortas na ilha de Utoya. "Precisamos examinar melhor o extremismo, debater o assunto (...). Não precisamos ver todos os extremistas como pessoas insanas, é preciso levá-los a sério, ouvir e debater suas ideias", disse Bjorn Magnus Jacobson, sobrevivente do ataque na ilha.

Breivik agora vai cumprir sua sentença em uma prisão nos arredores de Oslo, em uma cela individual. O local foi especialmente preparado para recebê-lo.

 

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