Condomínios usam rádio para fazer reserva na praia em SP

Proibição de marcar território com guarda-sóis vazios gera polêmica; porteiros acionam montadores de barraca

Luísa Alcalde, do Jornal da Tarde,

24 Dezembro 2008 | 08h31

Alguns condomínios das praias do Guarujá, como o Golden Tower, em Pitangueiras, têm usado radiocomunicadores para fazer valer a determinação da Justiça Federal, que proibiu desde outubro a reserva de faixa de areia nas praias, com a colocação de guarda-sóis, mesas e cadeiras na praia ainda vazia. "Agora, fica mais ágil. Assim que o condômino desce do elevador para a praia, o porteiro me aciona pelo rádio e eu começo a separar as cadeiras e o guarda-sol", explica Rafael de Souza, de 19 anos, há um ano trabalhando como montador de barracas.   Foto: Luísa Alcalde/AE   Antes, ele acordava às 4 horas, com chuva ou sol. Agora, chega à praia por volta das 7 horas. "Antes eu tinha de montar e desmontar 70 guarda-sóis todos os dias, fossem eles usados ou não." Por enquanto, diz, a medida está sendo eficaz. "Não sei como vai ser na temporada, com muito mais gente descendo dos apartamentos ao mesmo tempo."   Avisos sobre as novas regras foram afixados nos elevadores dos prédios - os porteiros se incumbem de informar aos turistas que os condomínios podem receber multas, até mesmo nos casos em que a pessoa deixa o guarda-sol sozinho para caminhar pela praia. No dia 29, a prefeitura fará uma palestra aos turistas para explicar as regras.   Na Praia das Astúrias, onde a polêmica teve início, a ordem ainda rende debates. Joaquim Leite, de 73 anos, é dono de um apartamento de frente para o mar e não gostou da medida. "Nossa mordomia acabou. Talvez tenhamos de colocar o guarda-sol na ponta da praia, e não mais na frente do prédio."   O casal Vera Lames, de 47 anos, e Jaime Lames, de 52, alugou um apartamento nas Astúrias para passar o fim de ano e achou a medida democrática. "Antes a gente passava por aqui e era um mar de guarda-sóis, não dava para andar. A praia está mais espaçosa." A professora Maria Luiza Faccio, de 45 anos, de Jaboticabal, também sentiu as mudanças nas Astúrias no fim de semana. Ela é hóspede da Associação dos Funcionários Públicos do Estado. Desde segunda-feira, cada turista recebe um guarda-sol. "Os funcionários montam se a gente pedir, mas, em vez de largar na praia, agora a gente tem de avisar quando vai voltar para o quarto para recolherem."   Na Praia da Enseada, como não há condomínios à beira-mar, a reserva de areia costuma ser feita por restaurantes, que instalam mesas, cadeiras e imensos guarda-sóis que ficam boa parte do dia vazios. "Agora temos de conquistar a freguesia na rapidez e no grito", diz a comerciante Ivonete Bastos.

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