Conferência em Curitiba busca formas de preservar biodiversidade

Os ministros ou responsáveis do Meio Ambiente de mais de cem países negociam em Curitiba novos instrumentos financeiros que possam ser eficazes para combater a perda de biodiversidade no planeta.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta segunda-feira a "parte ministerial" da 8ª Conferência das Partes do Convênio de Diversidade Biológica da ONU.Em seu discurso de abertura, o presidente advertiu contra as políticas que ameaçam a perda de biodiversidade ou que tentam "monopolizar" os recursos genéticos de países em vias desenvolvimento.Lula disse que a biodiversidade era "o maior tesouro do planeta", e defendeu uma distribuição eqüitativa dos benefícios derivados da exploração dos recursos genéticos e dos conhecimentos ancestrais das comunidades indígenas.NegociaçõesEncontrar novas fórmulas financeiras para premiar os países por conservar seu habitat e fazer com que as comunidades locais ou indígenas se beneficiem do uso e exploração desses recursos genéticos - procedentes de plantas, animais ou microorganismos - são os assuntos que centram as negociações.A partir desta segunda, e depois das sessões técnicas que precederam as reuniões de "alto nível", as delegações oficiais negociam como estes assuntos ficarão na declaração final da conferência.Na mesa de negociações, o Fórum Global da Sociedade Civil para a Biodiversidade colocou vários exemplos de como conseguir recursos adicionais aos orçamentos próprios de cada Estado ou aos fundos específicos do Banco Mundial.Segundo fontes que participam do fórum, no qual estão presentes, entre outros, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e a União Mundial para a Natureza (UICN), um dos meios pode ser os recursos de cooperação internacional em projetos "limpos".ContribuiçõesAlém disso, se referiram às contribuições filantrópicas de grandes órgãos, particulares ou fundações, e à necessidade de potencializar mercados como o do ecoturismo, agricultura ecológica e certidão florestal, que garantam uma exploração sustentável da madeira.O exemplo da Costa Rica está na negociação, segundo as mesmas fontes, que afirmaram que este país conseguiu conter a perda de biodiversidade após iniciar medidas econômicas e financeiras específicas para proteger a natureza.Assim, a Costa Rica conseguiu proteger 10% de seu território pagando aos proprietários particulares do terreno US$ 50 anuais por cada hectare conservado "intacto".De acordo com a mesma fonte, o projeto teve o envolvimento de cerca de 11.000 proprietários, que recebem essas quantias através do Fundo Nacional de Financiamento Florestal estabelecido pelo Estado a cargo do petróleo.Em Curitiba, e coincidindo com a presença dos ministros do Meio Ambiente, as organizações ecológicas intensificaram suas ações para sensibilizar as delegações oficiais.Estas organizações insistem na urgência de investir no processo econômico, para conseguir não só que o desenvolvimento não destrua o meio ambiente, mas também que a exploração sustentável dos recursos e a proteção da natureza sejam fonte de riqueza.No recinto principal do edifício que recebe a cúpula, a organização ecológica Greenpeace colocou uma grande ampulheta mostrando como o dinheiro prevalece sobre os recursos naturais.Se as negociações avançarem e o resultado da Conferência for satisfatório para os ecologistas, estes inverterão o relógio para que mostre o contrário, os recursos naturais prevalecendo sobre o dinheiro.

Agencia Estado,

27 de março de 2006 | 20h20

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