Conferência sobre cidades no RS defende capital social

Especialista diz que os municípios devem apostar mais na inteligência coletiva de seus moradores

ELDER OGLIARI, Agencia Estado

15 de fevereiro de 2008 | 14h44

O desenvolvimento local depende mais do uso do capital social do que de recursos externos vindos de governos centrais ou de investidores privados. A nova concepção foi transmitida nesta sexta-feira, 15, aos cerca de 800 espectadores da conferência Desenvolvimento Local em Cidades, no terceiro dia de atividades da Conferência Mundial sobre Desenvolvimento de Cidades, em Porto Alegre, pelo coordenador do comitê científico do evento, Augusto de Franco, e pelo vice-presidente da Enterprise Development for the Training and Development Corporation in the United States, Michael Shuman, pesquisador das vantagens econômicas dos negócios de pequena escala na era da globalização.A uma atenta platéia de administradores municipais e estudiosos de urbanismo e de relações sociais e econômica nas cidades, Augusto de Franco deu a entender que, mais do que esperar investimentos do poder central, os municípios devem apostar na inteligência coletiva de seus moradores, perceber a força que têm, e refutar a idéia de que os recursos devem vir de fora. "Não é o dinheiro que produz desenvolvimento, é o desenvolvimento que produz os recursos", afirmou. "O tesouro (das potencialidades) está enterrado em cada localidade, que deve descobri-lo", reiterou.Shuman não fez discursos contra as grandes empresas transnacionais e o esforço que os governos fazem para atrair grandes investimentos industriais para suas regiões, mas sugeriu que cada comunidade perceba as vantagens de produzir, comercializar e prestar serviços em escala regional. Citou, como exemplo, um estudo feito em Austin que mostrou que de cada US$ 100 faturados por uma pequena livraria, US$ 45 ficavam circulando na economia local, enquanto uma grande rede deixava apenas US$ 13.O norte-americano também propôs que as economias regionais façam esforços para substituir as importações, não mais com barreiras tecnológicas ou subsídios como nos anos 60, mas com criatividade, informação aos consumidores e competitividade. Lembrou que Bill Gates sozinho mudou o perfil de Seatle, agregando o software a uma cidade reconhecida pela produção de alumínio e aviões. Segundo Shuman, o governo pode ser parceiro ou indutor, mas a comunidade local não deve depender dele para se desenvolver, tomando a iniciativa de se organizar em empresas e em mobilizações da sociedade civil.

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